Uma mulher denunciou à polícia que um médico a assediou durante uma perícia no INSS em Goiânia. O profissional teria levantado seu vestido enquanto avaliava um benefício por hérnia na coluna. O caso ocorreu no dia 7 de abril, durante uma perícia para Auxílio-Doença.
A vítima contou, em entrevista, que assim que o atendimento começou, o médico fez perguntas sem relação com a perícia. “De uma forma inesperada e assustadora, ele pediu para eu levantar: ‘Se levanta que eu vou olhar se você realmente tem esse problema’. Quando eu levantei, eu assustei, quando olhei para trás, ele já estava atrás de mim e, de repente, levantou meu vestido”, relatou, chorando.
Segundo a paciente, ela saiu da sala sem saber o resultado da avaliação, mas o médico teria dito que ela “não tinha nada”. Em vídeos após a consulta, ela aparece abalada e chorando. “Não é normal você ir buscar um direito seu e você ser quase expulsa de dentro da sala e ainda passar por constrangimento”, desabafou.
A defesa do médico não foi localizada. Em seu depoimento, ele afirmou que a conduta foi necessária para a avaliação clínica, pois a perícia envolvia hérnia na coluna. Ele disse que pediu que ela levantasse o vestido e que não percebeu nenhum incômodo.
No boletim de ocorrência, o médico afirmou que foi vítima de tentativa de lesão corporal, calúnia, ameaça e desacato. Ele relatou que, somente após negar o pedido, a paciente teria retornado ao local.
“Por volta de 20 minutos depois, extremamente exaltada, a autora começou a relatar que o comunicante a teria importunado sexualmente, durante a realização da perícia, ao levantar seu vestido”, diz o registro.
Ele afirmou que pediu o levantamento do vestido de forma “técnica e necessária”, prática comum para examinar a coluna, e que, quando ela voltou, jogou uma garrafa de água que atingiu seu braço.
O Cremego informa que apura todas as denúncias sobre conduta ética de médicos e mantém sigilo. O conselho também solicita esclarecimentos ao médico responsável técnico pela instituição. A reportagem contatou o Ministério da Previdência Social, mas não obteve retorno. A Polícia Militar informou que o registro está restrito à Delegacia Especializada da Mulher. A reportagem aguarda resposta da Polícia Civil sobre a investigação.
