O ex-deputado estadual Iram Saraiva Júnior responde em liberdade à acusação de estuprar a própria filha de dois anos. A 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) analisou um habeas corpus da defesa e manteve a decisão que o soltou em outubro de 2025, por determinação da desembargadora Gizelda Leitão Teixeira. A magistrada também preside a corte. A decisão proíbe o acusado de se aproximar da família.
A investigação começou em março de 2025, quando a mãe das crianças e profissionais de saúde notaram lesões nas partes íntimas das meninas após um período de convivência com o pai. Observaram também sinais de medo e comportamentos que associaram a violência. Na mesma época, uma das crianças contou a professores da escola que o pai a havia “machucado” na região íntima. A escola acionou o Conselho Tutelar e o Ministério Público antes mesmo de a mãe formalizar a queixa-crime.
A menina desenvolveu herpes genital, e um laudo médico acrescentou indícios compatíveis com violência sexual infantil. A Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima do Rio de Janeiro (DECAV-RJ) conduziu as apurações. No curso da investigação, surgiram relatos de que uma filha do primeiro casamento de Saraiva, hoje com 22 anos, também enfrentara abusos no passado.
O Núcleo de Atendimento à Criança e ao Adolescente (NACA) produziu o relatório técnico. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e a juíza Bruna Hayar Fuscella acolheram o documento, e a magistrada decretou a prisão do ex-deputado em 1º de outubro de 2025. Dias depois, a desembargadora Gizelda Leitão Teixeira concedeu liminar de soltura. O Ministério Público e a polícia manifestaram-se contra a liberação, apontando a gravidade dos fatos.
A defesa alega alienação parental. Já os autos indicam que as denúncias tiveram origem em órgãos oficiais e em relatos espontâneos da criança, apoiados por indícios físicos e laudos técnicos; não apenas na palavra da mãe.
A parte acusadora preferiu não se manifestar. Os advogados da defesa não atenderam às ligações da reportagem.
