Anda estridente a chiadeira dos candidatos a deputado estadual e federal em Goiás.
Não tá fácil pra ninguém. Todos reclamando. Todos choramingando.
Reclamam do custo alto das dobradinhas, que são aqueles bem-bolados alinhavados no fio dos interesses mútuos entre federal e estadual nos municípios.
Reclamam do preço de material básico de campanha, como papel, aluguel de escritório e gasolina.
Reclamam da concorrência desleal dos adversários internos (nas legendas ou coligações) e externos (os candidatos que invadem suas protegidas bases).
Reclamam dos prefeitos que traem por mínima aceno de emenda ou cargo pro filho.
Reclamam dos vereadores que negociam seus eleitores, sendo que todo mundo na cidade sabe que, deles mesmos, mal resta o voto da mãe.
(E, sim, eleitor é produto de barganha transacionado no varejo e no atacado.)
Reclamam de tudo e de todos. Porque só existe candidato santo: o diabo são os outros.
Reclamam até de Donald Trump e Xi Jinping.
Única vida boa de fartura e ostentação em Goiás, dizem, tem nome: Bruno Peixoto, pré-candidato a deputado federal.
Para Bruno, comentam entre a ironia e a inveja, não falta nada.
Não falta estrutura, não falta apoiador estrategicamente localizado em tudo quanto é canto. Não falta coragem para fazer o que bem quer com o que tem de sobra.
Presidente da Assembleia Legislativa, orçamento gordo, mais de seis mil comissionados (e contando), molejo nas redes, Bruno está nadando na facilidade. O povo fala.
Tanta dor do resto dos candidatos não é fato inusitado de campanha. Era assim.
Ficou mais acentuado exatamente – é voz geral – por conta das facilidades da Alego aos que já tem mandato, entre elas os cargos em abundância e emendas com facilidade.
Deputados com mandato estão em campo apostando alto. Estaduais e federais.
O que faz a competição entre eles subir o tom e os custos, e a disputa com quem sonha entrar no clube ficar bem mais árdua.
A reclamação mais frequente é a dificuldade de amarrar no pé da mesa o tal do apoiador nos municípios, seja prefeito, vereador, suplente ou liderança de qualquer coisa.
Esse indivíduo costuma não ter lado ideológico ou político inabalável. Nem fidelidade canina. Não tem jeito.
Vai trair, é a expectativa de sempre. Vai negociar com dois candidatos. Vai vender o que não tem pra entregar: voto. Questão de saber quando.
A vigilância é grande. Uma trabalheira. E explica em parte os confrontos eventuais que vêm a público nos municípios.
Esses conflitos ocorrem mais dentro da base governista. Por lógica pragmática.
A base tem maior número de candidatos. E cargos sem medida.
O expediente de uso da estrutura pública é explícito. Veja a Alego: mais de seis mil comissionados. Gente que pode ser nomeada e demitida com uma canetada.
Se um indicado a assessor local perde o cargo de repente, a guerra é estabelecida. E se a vaga passa a ser ocupada por um indicado de candidato adversário, a bomba explode.
Um horror. E uma piada de mau gosto social.
Lembro o que me disse outro dia um amigo. Marqueteiro experiente, acostumado com eleições Goiás adentro, ele desenvolveu um sábio conceito.
Tem dois tipos de apoio a candidato a deputado: os casados e os amantes.
O apoio casado é aquele com raiz. Tem laços. Está no gabinete (ou na folha de pagamento, por outras vias), tem parente contratado, recebe emendas, já foi ajudado em campanhas pessoais.
Pode trair? Pode. Sempre pode. Porém mais difícil, pois fixado em relacionamento duradouro entre as partes.
O apoiador amante, não. É de ocasião. Aventura eleitoral. Amante hoje, ex amanhã. Depende.
Em campanha, o que não depende de quem paga mais ou não existe ou é rara exceção. Tem relação que sai da casa direto para a saliência.
Candidato que casa com amante costuma ter surpresa no parto das urnas. São muitos os filhos.
Quando os casados viram amantes, e os amantes viram casados com vida de solteiros, é festa.
Um sururu. Todos se merecem. São felizes assim.
Amor de voto, urna não perdoa.
