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China amiga; EUA, novo inimigo. Daniel tem tudo pra ganhar; Marconi e Wilder, incógnitas. Tudo é percepção

Na eleição em Goiás, a percepção é arma: Daniel se fortalece com Caiado; Marconi luta contra o passado; Wilder espera Bolsonaro. Entenda

ForbesMoney bandeira Estados Unidos China 220520 cbarnesphotography GettyImages | PortalGO

Eleição é guerra. E jogo de percepções.

Juntemos Trump, Lula, Daniel Vilela, Marconi Perillo e Wilder Morais em um só pensamento.

1

Antes, o inimigo do Brasil era um monstro que atendia pela alcunha de comunismo.

O que era esse comunismo? Um caldeirão de opiniões que, no conjunto das percepções, dava no mexidão que todos engoliam: um monstro contra os brasileiros.

Quem mais trabalhou no tempo essa percepção? Os Estados Unidos, adversário bélico dos chineses e interessado econômico direto nessa construção de imagem. Ou destruição – visão a gosto.

Hoje o sentido está inverso. O comunismo é o mesmo na propaganda capitalista, mas quanta diferença de percepção na pele do cidadão.

Quem ataca o Brasil não é a China. A China quer negócio, aproximação e arte nas parcerias. Goiás faz cada vez mais negócio com a China. Quer reciprocidade financeira, tecnologia e vender soja e terras raras.

2

A conexão Goiás-China, China-Goias é uma realidade para o capitalismo empreendedor goiano.

Quem está contra nós? Taxativamente, os Estados Unidos. Taxas crescentes para nós fazer curvar aos seus interesses geopolíticos estratégicos.

Na eleição nacional, o interesse é internacional. Nas eleições em Goiás, quem vai ganhar é guerra dentro da guerra.

No campo minado, a percepção é quase tudo.

A percepção de quem vai ganhar é quase ganhar.

Pode ser que esse nome perca. Mas a vantagem que leva é palpável nos fatos e nas pesquisas.

Vira cabo eleitoral de fundo e bastidores no momento em que o povo está desligado da disputa, mas o público político está aceso e escolhendo lados.

Tem critério e tem peso na construção dos resultados de meio para se chegar ao fim almejado.

3

A base da força eleitoral de Daniel Vilela (MDB) está assentada nesse ponto. Na percepção do que ele representa e pode. Seu poder não é pessoal. É de conjunto da obra que o embala e o envolve.

Embora pouco conhecido ainda – dados de pesquisas mostram isso -, ele está no governo, tem a máquina na mão e é apoiado por Ronaldo Caiado, que todos conhecem e que chega a 84% (Quaest) de avaliação positiva.

Daniel tem espaço de sobra pra se fazer conhecido no positivo, especialmente porque seus adversários o ignoram. Seu negativo é raramente exposto e enfatizado.

Caiado, recém-saído do governo para disputar a Presidência, é bem avaliado. Fato.

Independente de adversários minimizarem isso ou desqualificarem as pesquisas que registram a avaliação científica (em números) dos goianos.

Independente ainda de críticos terem ou não razão quando gritam que ele não tem obra que se sustente no espaço.

(Imagem não é obra de percepção tangível, apenas. Mas vá explicar. Deixemos.)

4

A percepção de que fez um bom governo é o que faz de Caiado um potencial garantidor eleitoral de Daniel. E o quê, por extensão, dá a Daniel esse lampejo de favoritismo de largada e de potencial de chegada.

Que os aliados usam como “certeza”, para aumentar o eco dessa percepção, fazendo o que têm que fazer os aliados.

A percepção está entre os maiores desafios de uma eleição. Se não, no topo.

5

Para quem está atrás, vencer essa barreira é derrubar um muro de sustentação de barragem. Para quem está na frente, vitória é impedir um furo nessa barragem de contenção de campanha.

Marconi Perillo (PSDB) luta contra a percepção de que foi preso e de que anda de “camburão”.

Wilder Morais (PL) se bate com a percepção de que é preguiçoso (algo repetido por aliados, por mais inusitado que pareça, embora o tiro tenha método: forçar que ele se mexa e vá a campo logo) prefere viver embriagado de “champanhe” a fazer campanha no chão, ao sol e no ombro-a-ombro com o povo.

6

As duas referências foram o ápice do discurso de Caiado contra os adversários dele e de Daniel, durante evento da base governista no final de semana. Pareceu discurso casual. Foi foco em blindagem de percepção.

Em vez de apenas repetir ladrão e de só falar milionário insensível à população, como todos dizem de seus inimigos, Caiado criou imagens. Lançou metáforas como parábolas ilustradoras de um comportamento e de um protagonismo.

Foi o bem contra o mal que se avizinha querendo voltar. Percepção, lembrem-se.

7

Marconi e Wilder não criaram, até este exato retrato da campanha, equivalentes contrários à percepção de vitória ostentada por Daniel.

Atacar Daniel no corpo físico de governador não abalam a base intangível que o sustenta, maior e mais robusta que a outra. Patinam na falta de rumo, de discurso e de um plano estratégico. São amadores contra o profissionalismo governista.

8

O discurso de que o governo Caiado/Daniel é construído por propaganda é demonstrativo disso.

O que não é propaganda e marketing? Marconi e Wilder talvez pensem em ganhar sem comunicação competente.

É uma aposta. Como se os quatro governos marconistas não tivessem sido fundados e mantidos com propaganda e marketing. Como se o bolsonarismo não fosse propaganda e narrativa. É uma aposta, sem dúvida.

9

Wilder leva uma vantagem. A percepção de que o bolsonarismo é forte, tem lastro nas redes e ruas, e é de chegada o favorece.

Todos (inclusos os adversários) calculam que, na hora certa (seja lá quando for isso), o bolsonarismo o guindará ao topo. E então o milagre da ascensão de sua elevação ocorrerá, para a glória dos bolsonaristas.

Por isso há, entre os governistas que conduzem a campanha da reeleição, a certeza de que o adversário real de Daniel não é Wilder: é isto, a percepção e o movimento de potencial comprovado do bolsonarismo na reta final.

Com outras palavras: Wilder é mais temido que Marconi não por conta dele, mas do bolsonarista; Marconi é o adversário mais querido por conta dele (seus desgastes e a rejeição alta), e não por poder de arregimentação.

10

Os marqueteiros constroem sonhos e pesadelos. É para isso que servem. Quem vai para o chão de fábrica é outro motor da eleição, o povo de campanha, os militantes e interessados diretos ou colaterais.

A percepção rasteira é a de que só os marqueteiros importam. Meia verdade. A estrutura é que vence. E faz perder.

Por isso as máquinas pesam: as de governo, as de partido, as de dinheiro, as imponderáveis – de uso próprio da população. O poder (material, estratégico, subliminar) das máquinas é o poder que leva ao destino.

11

Donald Trump está ajudando bastante na percepção, que ganha terreno, de que Lula cresce e começa a aparecer como reeleito, quem sabe no 1º turno.

A China faz campanha para Lula não porque está em campo, mas porque os Estados Unidos estão em campo contra o Brasil, contra Goiás e contra Lula.

É uma China nova, não a daquele velho comunismo de conceito acadêmico, e de percepção maligna.

12

Notícia ruim para Wilder, porque caso Flávio Bolsonaro se estabeleça como amigo do inimigo de Goiás e do Brasil, Wilder será o amigo do amigo dos nossos inimigos.

Notícia não muito boa também para Marconi, que já se ofereceu como possível amigo desses amigos em um eventual 2º turno, dando sinal trocado sobre de quê lado está no jogo bruto das percepções.

13

Wilder e Marconi em posição do lado de lá, ao lado de quem defende os Estados Unidos, favorecem quem?

Favorecem Daniel Vilela, que nesta hora tem Caiado criticando Lula e Flávio e se apresentando como wu
Pode peitar a negociação com os Estados Unidos.

Daniel está na dele, discursando para goiano ver e governando em paz por falta de oposição na pista.

Enquanto Caiado acena para os EUA, Daniel abre caminho para o mercado goiano com quem o mercado goiano está todo prosa faz anos: exatamente a China.

14

O incrível do incrível é constatar que a percepção que favorecia Lula antes e que mais o favorece nesta fase, não se reflete em Goiás.

A percepção do Lula favorito para a reeleição não tem acolhida na percepção de candidatura na eleição de Goiás.

A percepção de caminho aberto para a construção de uma candidatura competitiva em Goiás não existe, simplesmente.

Ninguém se arrisca. Nem para brilhar agora, nem para acender luz no futuro.

Não há petista com coragem de entrar pra tentar ganhar. Acreditando, sem medo de ser feliz (inevitável lembrança).

Preferem escolher candidato que, de saída, já carrega a percepção de que só está na guerra pra constar. Que vitória será não ser enterrado em vão, com menos de 10% de votos.

Do mesmo jeito que o PT goiano não é percebido como estratégico pelo PT nacional, não é percebido pelo eleitor goiano e passa despercebido nas urnas majoritárias no Estado.

15

A missão do PT goiano é atrapalhar Daniel no 1º turno, ajudando a jogar a eleição para o 2º turno.

Favorecendo, assim, Wilder e Marconi.

Para, depois, no 2º turno, ajudar Daniel contra Wilder ou Marconi, como fez em Goiânia com o caiadista Sandro Mabel versus o bolsonarista Fred Rodrigues.

16

Percepção é tudo na eleição. Menos a derrota.

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