As indefinições para o fechamento das chapas de candidatos em Goiás ainda são grandes.
O governador Daniel Vilela (MDB) não tem vice para a reeleição. Tem candidatos a vice.
Zé Mário Schreiner, Luiz do Carmo e Adriano da Rocha Lima disputam a vaga em uma competição que já esteve mais animada.
Vilmar Rocha corre por fora, segundo governistas, embora não admita. Em entrevista à Difusora semana passada, ele negou, ao ser questionado sobre o assunto.
Kassab acompanha, tem poder de fala. É presidente nacional do partido ao qual todos pertencem e pelo qual o ex-governador Ronaldo Caiado é candidato a Presidente da República. E tem o vice de Caiado na chapa.
Líquido e certo na base governista: Caiado é quem baterá o martelo, sob supervisão especial de Kassab e de Daniel — um sob pressão para indicar o velho amigo, e o outro em busca de alguém que não seja um problema futuro.
Sobre o futuro, todos sabem: o nome escolhido não pode ameaçar uma volta de Caiado na disputa pelo governo em 2030, quando Daniel não poderá tentar um terceiro mandato seguido. Ou não pode atrapalhar Gracinha Caiado como eventual candidata ao governo.
Adriano, Luiz do Carmo e Vilmar não são ameaça, neste sentido.
A decisão foi calculada para a convenção por puro pragmatismo.
Em um cenário favorável, o nome preferido, de início, era Adriano — primo e preferido de Caiado.
Caso a situação não se mostrasse tão confortável, os nomes penderiam para Zé Mário, se houvesse necessidade de agradar o agro, ou Luiz do Carmo, para um aceno aos evangélicos.
Vilmar como vice estadual entrou na conta no decorrer da pré-campanha nacional de Caiado, como um sopro no ouvido feito por Kassab.
Não há guerra à vista. No máximo, um contencioso para Daniel e Caiado administrarem. E tem sido bom para a base: o clima de disputa ocupa espaços na imprensa.
Marconi não tem vice e não tem pré-candidatos ao Senado. A não ser um, especulado e ainda não lançado: o ex-deputado estadual, ex-secretário de Segurança do Estado (governo Alcides Rodrigues), ex-prefeito de Formosa e ex-secretário forte de Caiado, Ernesto Roller (PSDB).
Não há disputa para ocupar esses espaços na chapa de Marconi. O clima é de paz. O que indica, por outro lado, falta de cobiça — ou: falta de perspectiva de vitória da parte do tucano.
Entre os mais próximos do ex-governador há uma explicação para a demora: ver como vai ficar o clima na base governista.
Eles esperam para ver quem vai sobrar na escolha do vice de Daniel Vilela — e aí, dar o bote.
Sobre nomes para o Senado, especulação nenhuma. Será surpresa, dizem. De fato, será surpreendente, uma vez que o deserto de especulações não promove conjecturas alvissareiras.
Wilder Morais é o único com tudo resolvido.
Tem a vice conhecida e anunciada desde a largada, Ana Paula Rezende, advogada, empresária e filha do casal Iris Rezende e Iris de Araújo.
Tem também os candidatos ao Senado, Gustavo Gayer e Oséias Varão.
Wilder saiu na frente. Só não andou na frente com as ações de campanha. Essa é a cobrança que recebe, de forma externa e interna, no bolsonarismo.
O PT goiano tem um candidato posto na sala, Luis César Bueno, que carece de validação do PT nacional e de Lula. É uma obra em andamento, sem previsão de inauguração.
Há nomes para o Senado em campo, como Isaura Lemos (PSB) e Cíntia Dias (PSOL). Mas tudo em estado de espera pelo candidato a governador.
No campo das definições, surge um sopro de novidade.
De repente, o que era incerto e não sabido se mostra mais claro: as quatro campanhas já têm no horizonte os seus principais estrategistas.
O marqueteiro de Marconi será Lula Guimarães, estreante em Goiás. Lula tem no currículo as campanhas do então candidato a presidente Eduardo Campos, de Marina Silva e de João Doria a prefeito.*
(*PS.: Escrevi que Lula era estreante, saiu aqui e me lembrei que um amigo me contou que ele era da equipe de Paulo de Tarso, marqueteiro de campanhas vencedoras de Marconi ao governo. Lnrei também que outro amigo me disse que Paulo se Tarso seria convidado para consultoria nesta campanha. E mestre Luiz Carlos Bordoni, com sua memória prodigiosa, me telefona gentilmente pra dizer que trabalhou com Lula em campanha no Estado, e que Lula também esteve em campanha de Lúcia Vânia. “Ele é bom e conhece bem a política daqui”, ensina Bordoni. Assunto pra ser retomado em pormenores, quem sabe (#sigaapauta). Aqui, só o registro mesmo do nome.)
Wilder anunciou o seu: Marcelo Vitorino, até outro dia estrategista de Marconi e que, um pouco mais atrás, esteve em uma campanha de Daniel.
Daniel Vilela tem quem dá rumo à campanha desde antes de ele chegar ao Palácio das Esmeraldas: Gean Carvalho, hoje principal secretário do governo em andamento.
O PT tende a ir para a campanha com Otávio Antunes. Ele foi o responsável pelas três últimas campanhas vencedoras na OAB do Estado e cuida de Fernando Haddad, em São Paulo.
São, por ora, os titulares.
Retrato de momento em Goiás.
Bem na hora em que a pergunta mais frequente é: “dá para Daniel Vilela ganhar no 1º turno?”
E como ela parte de aliados, mas também de adversários de Daniel, significa que a resposta está óbvia: dá, sim.
Essa percepção, que ganha insistência com a força na ansiedade e na torcida, é o principal adversário hoje de Marconi Perillo, Wilder Morais e do PT.
Há um esforço do lado de Marconi e Wilder na divulgação de pesquisas que mostram que eles vão bem e que Daniel vai mal nas intenções de voto. Esforço de campanha.
Há dignidade na luta. Mas ou é amadorismo, ou falta de rumo, ou esforço. Primeira tarefa para os marqueteiros dos oposicionistas.
Pesquisas a quilo são pesquisas a gosto do freguês. Isso não significa que o eleitor deva acreditar em tudo, nem que falte vida inteligente capaz de ler nas entrelinhas.
Os fatos não batem com a realidade.
Wilder, embora com chapa amarrada, luta com desgastes internos e com o noticiário adverso contra Flávio Bolsonaro e outros bolsonaristas sob denúncias — como seu presidente nacional, Valdemar da Costa Neto, acusado de atuar como operador de emendas no Congresso, sem ter mandato. Há também o Master e a repercussão de Flávio em vídeo numa festa pouco republicana.
Marconi não tem fato novo. As oscilações nas pesquisas, para mais ou para menos, não passam disso: oscilações. Não apontam para um movimento de alteração do quadro a seu favor.
Isso se reflete nos próprios passos do candidato. Sua campanha vai aos municípios; ele é bem recebido e demonstra fôlego renovado, mas ainda é a campanha de um homem só.
Para os militantes e coordenadores de campanha de todos, prevalece a fé e a convicção de que na hora certa o cenário mudará: Daniel desabará. A queda já teria começado, defendem, sob a alegação de que pesquisas internas provam isso.
Elas. As pesquisas. A salvação da alma militante — nesta campanha, mais do que nunca. Cada um as lê à sua maneira, e é feliz ou infeliz do jeito que pode. Faz parte.
