Tá chegando a hora de, quem é de oposição em Goiás, fazer oposição sem meias-palavras. Wilder Morais (PL), por exemplo.
Porque, quem é governo, está governando e fazendo campanha sem economizar discurso e sem ser incomodado pela oposição.
Marconi Perillo (PSDB) arrisca discursos contra o atual governador, Daniel Vilela (MDB), e o anterior, Ronaldo Caiado. Mas não pra se comparar, e não para contestar e apresentar alternativa melhor.
Marconi critica o presente para resgatar o seu passado, as realizações dos seus quatro governos. E aí aponta o futuro olhando para trás.
Se o governo atual devolver a pedra jogada com estilingue por Marconi em sua vidraça, o impacto na imagem atual de Marconi tem força de ser grande, já que as armas à disposição de quem está no poder são do tipo atiradeiras de canhão.
Quem está no poder tem munição de sobra, armas a postos e atiradores de prontidão. Atira mais longe e sustenta por mais tempo o tiroteio. A estrutura roda viva pra matar.
Não quer dizer que vence. Significa que tem fôlego.
O tiroteiro mal começou.
Marconi está se estruturando. Tem marqueteiro novo (Lula Guimarães) e articuladores de elite nas redes sociais. Questão de tempo.
Pode mudar o rumo de seu fogo cruzado. Pode ajustar o calibre. Pode acertar o alvo. Pode. Resta a esperança dos aliados.
O governo é forte, mas não é infalível. Tem flancos abertos, pontos vulneráveis. Estão nas pesquisas qualitativas e na realidade dos fatos. O noticiário é farto, as entrelinhas são generosas. Pra quem sabe ler.
E Wilder?
Wilder, ponto.
Wilder não levantou da cadeira pra fazer campanha. E não levanta a voz. Nem contra Marconi, nem contra Daniel.
Wilder poderia começar pedindo explicações sobre o recente anúncio da intenção de compra da sede de onde seria um hospital da Oncoclínicas, quase concluída, para colocar lá o novo HUGO, o Hospital de Urgências de Goiânia.
Um negócio de R$ 500 milhões em um governo que pode ser eleito, mas que também pode ser derrotado daqui a menos de três meses.
Bem que Wilder poderia pedir explicações e transparência.
Poderia questionar quem são os sócios do empreendimento. Os visíveis e os invisíveis.
Poderia pedir nomes e CNPJ de todos os beneficiados nessa história de véspera de campanha.
Ou Wilder poderia elogiar Daniel pela boa ideia, pela ótima iniciativa e pela valorosa ação de um bom governo tocado por um bom governador em pleno exercício do mandato assumido em abril com prazo de validade para dezembro – se não vier a reeleição.
Wilder vai questionar? Vai expor detalhes?
A obra é positiva para o Estado. O HUGO é necessário e ampliá-lo é urgente, com licença linguística do trocadilho.
Nem Wilder, nem Marconi podem negar o positivo que é um HUGO maior e melhor para os goianos. Marconi foi quem ergueu a obra quando governador.
Os questionamentos de Wilder indicariam um candidato pronto para se opor ao que existe hoje. É apto a ser uma alternativa viável e renovadora, de fato.
Qual o problema?
Nenhum, para um candidato que é contra quem está no governo e busca a reeleição.
A questão é: Wilder vai fazer isso? Vai para o confronto com Daniel Vilela e Ronaldo Caiado?
A empresa de Wilder, Orca, é a construtora da obra quase acabada. O negócio anunciado por Daniel o beneficia diretamente.
Até agora, Wilder não disse a que veio como candidato a governador. E este é só mais um fato no histórico de deixa disso que marca sua pré-campanha.
Wilder foi secretário de Governo de Caiado. Foi secretário de Governo de Marconi. Tem negócios com o governo de Goiás. Foi como parceiro de bastidores de governistas que, empresário amigo de todos, entrou para a política. Tem emendas que carecem de liberação do governo federal lulista. Tem o PL. Tem o bolsonarismo. Tem uma vice com capital político respeitado. Tem tudo. Quer mais?
E não tem nem discurso, nem campanha pra mostrar.
Nada consta que sua candidatura seja pra valer. E que, mantida em convenção, se sustentará.
E o que faz com que as maiores críticas hoje a ele partam não dos adversários, mas dos aliados. Os que não esperam.
Há uma história repetida nos bastidores, contada em versões parecidas por conhecidos variados. Fontes próximas, incomodadas. E desanimadas.
Um dia da semana, qualquer dia, Wilder liga e chama: vem tomar uma comigo aqui na empresa. Na Orca. Mas não é dia de campanha? É, mas para ele não é.
Vez ou outra Wilder se opõe ao PT. Arrisca frases de efeito. Mas é sempre pouca massa para muita obra eleitoral.
Defensor de Flávio Bolsonaro, nesse quesito ele passa longe da veemência de Ronaldo Caiado e do próprio Flávio contra Lula.
Wilder, ao criticar o PT, nunca abala as estruturas lulistas. E nem suja com as mãos as bases de Daniel e Marconi.
Bom para eles. Para Daniel, mais que tudo.
Sem Wilder, sem oposição, Daniel se firma como governador que dá conta do recado. Que está pronto para manter, como vem fazendo, o Estado no caminho seguro iniciado por Ronaldo Caiado.
Está na propaganda do governo. Está no mote de pré-campanha dele. O conceito é público e notório.
Se alguém tem a apontar algum impedimento legal ou motivo justo contra a união de Daniel e a sua reeleição, mas não o faz, não levanta a voz, o que a população goiana haverá de fazer?
Que os adversários se calem mesmo. E para sempre.
