O candidato do PSDB ao governo de Goiás, Marconi Perillo, caminha naturalmente para apoiar o candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro.
Foi o que disse o presidente estadual do PSDB, deputado Gustavo Sebba, à coluna Giro, de O Popular, neste sábado, 4.
Palavras suas:
“É o caminho natural que o partido deve seguir em Goiás. Entendo que o trabalho político tem sido nesse sentido. Essa é a articulação feita por parte do nosso grupo.”
Sebba revela a estratégia tucana, no registro da coluna: acenar para aliança com o senador Wilder Morais (PL), o pré-candidato ao governo do PL.
Mais palavras suas:
“Trabalhamos para estarmos juntos no segundo turno. Tenho muita convicção (de) que estaremos no segundo turno e Wilder vai nos apoiar.”
Completa o texto da nota: Marconi já disse em algumas ocasiões que não repetirá o “erro” de 2022, quando disputou o Senado sem associar seu projeto a uma candidatura presidencial.
Sebba parte do princípio de que o governador Daniel Vilela (MDB) estará no 2º turno. Tudo certo. No PSDB é hegemônica tal visão, junto com a de que Daniel perderá fácil, caso vá de fato para o turno seguinte. Em contrapartida, a base governista joga tudo na vitória em 1º turno, comprando empenho de sua base.
O propósito do aceno de Gustavo Sebba a 16 dias do início das convenções tem o condão de tentar amolecer desde já o coração dos bolsonaristas em favor de Marconi.
Os bolsonaristas não são Daniel, embora Daniel se posicione como direita e tenha do lado o histórico direitista – e pré-candidato a presidente – Ronaldo Caiado, que tem uma relação muito particular com Flávio, ambos visando um 2º turno nacional.
Nem Flávio ataca Caiado, nem Caiado ataca Flávio. Um bem bolado político assumido.
Mas não deixa de ser curioso o aceno justo neste momento.
Flávio está:
com chaga exposta ante o bombardeio nacional por suas ligações com o Banco Master; em treta feia com Michele Bolsonaro e o eleitorado feminino; cobrado pelas declarações machistas de seu principal aliado nos Estados Unidos (Paulo Figueiredo); vendo seu envolvimento com milicianos cada dia mais evidente. Tem mais coisa. Isso basta para o ponto.
A convicção de que nada abalará a candidatura de Flávio certamente permeia a inabalável convicção de Gustavo Sebba sobre o fato, consumado na nota, de que a declaração antecipada de apoio de Marconi a Flavio é “a” e “o” ideal para este momento.
Ele tem a certeza de que não dará ruído algum. Não terá retorno de comunicação instável. Ajudará bastante a causa.
Inevitável a lembrança.
Marconi, que recebeu R$ 14,5 milhões de Vorcaro para complementar renda, está firme e forte com Flávio, que tem áudio cobrando outros milhões de reais de Vorcaro para o filme sobre o pai.
Vorcaro liga Marconi e Flávio no pior dos mundos para os dois:
antes (dinheiro compartilhado do banco), durante a pré-campanha (Sebba guarantees união) e na campanha (quando os adversários lembrarem disso em alto e bom som na mídia, nos debates e nos programas eleitorais). Inevitável a associação de desgastes, do negativo de um com o do outro. Não?
Mas isso não é problema, segundo se depreende da antecipação de apoio feita por Gustavo Sebba. Há um plano, certeza.
Talvez permeie a declaração, a visão pragmática de que todos devem algo a Vorcaro e ninguém vai ter coragem de atacar ninguém.
Ou que negativo com negativo dá positivo. Elementar.
Curioso, ainda, ver Marconi, que se bate tanto contra Daniel e Ronaldo Caiado, não se importar em, com o apoio a Flávio, apontar o inesperado: que ele e Caiado poderão estar no mesmo palanque em um hipotético 2º turno em Goiás.
Porque, se Marconi apoiará Flávio caso vá para o 2º turno contra Daniel, é razoável crer que ele apoiará Flávio mesmo se não for (indo Wilder Morais para o 2º turno).
Ou Sebba negará isso agora, caso seja perguntado se o apoio de Marconi a Flavio no 2º turno é condicional, só se for ele e não Wilder?
(O que seria um escancaramento da estratégia: o intuito de ser feita agora é isso, apenas agradar bolsonarista desavisado?)
Sendo o apoio incondicional, poderemos ter o inusitado: Marconi e Caiado no mesmo palanque de Flávio em Goiás no 2º turno.
Porque Caiado já avisou que estará junto de Flávio caso ele não vá para o 2º turno. O objetivo maior, repete, é vencer Lula.
Antes que me atirem a primeira pedra com a acusação de estar fazendo mau uso de meia verdade, aviso: só quero entender.
Faço uso é da declaração de Gustavo Sebba. E desde o início imaginando se Wilder não está comemorando desde que o dia amanheceu com a nova edição do jornal.
Wilder pode muito bem dizer aos seus: melhor eu do que Marconi. Porque Marconi já está na capanga. Não leu o que Sebba disse? O apoio a nós está garantido por antecipação espontânea.
Dois pontos a mais.
1 E se forem Marconi e Wilder para o 2º turno?
2 Marconi certamente será agora questionado diretamente sobre este apoio. Que dirá? E se negar? E se titubear na resposta? Pode confirmar, claro. Mas pode desconversar.
Foi Gustavo Sebba que disse o que disse numa hora dessas, quando ninguém estava cobrando isso e quando estava tudo calmo para os lados de Marconi.
Marconi mesmo faz a parte que lhe cabe na pré-campanha. Está em campo, no contato direto e diário com o eleitor. Sendo candidato, enquanto os marconistas comunicam.
Só estou querendo entender a estratégia. Curiosidade minha.

