O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, enviou ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) um documento de 86 páginas em que pede o adiamento por 180 dias das novas tarifas contra exportações brasileiras. O prazo empurraria a aplicação das taxas para depois das eleições presidenciais no Brasil.
A manifestação, protocolada nesta quarta-feira (1º), apresenta um argumento central: as tarifas impostas pelo governo Trump não atingiram o objetivo de mudar o comportamento das autoridades brasileiras. Ao contrário, segundo o senador, fortaleceram politicamente o presidente Lula.
“Pesquisas de opinião pública brasileiras mostram que a posição eleitoral do atual governo se fortaleceu precisamente durante os períodos em que a pressão tarifária dos EUA foi mais evidente”, afirma o documento.
A tese de Flávio
O senador sustenta que as tarifas “recompensariam o atual governo brasileiro pela própria estratégia que tem adotado: obstruir negociações sérias, provocar retaliações e, em seguida, converter essa retaliação em uma vitória política interna”.
Para ele, os custos recairiam sobre a economia americana e sobre os brasileiros que defendem uma “relação construtiva com os EUA“; nesse caso, a oposição.
Quem ganha e quem perde
A argumentação revela o dilema do campo bolsonarista. As tarifas, que parte da base de Trump justifica como pressão contra o governo brasileiro, podem gerar o efeito inverso: alimentar o discurso de Lula de defesa da soberania nacional em pleno ano eleitoral.
Lula já classificou a família Bolsonaro como “traidores da pátria” e atribuiu as ameaças tarifárias a articulações da família, sobretudo do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Em julho de 2025, quando os EUA impuseram tarifa de 50%, Eduardo agradeceu a Trump publicamente.
O que Flávio propõe
O senador sugere uma suspensão de 180 dias, prorrogável por mais 90 se houver progresso nas negociações. Se o governo brasileiro não se engajar de boa-fé, as tarifas voltariam automaticamente. Ele ainda recomenda que os EUA usem instrumentos como sanções financeiras e restrições de visto baseadas na Lei Magnitsky, em vez de tarifas generalizadas.
O outro lado
No mesmo dia, o governo Lula também enviou ao USTR sua resposta à investigação da Seção 301. O documento, assinado pelo ministro Mauro Vieira, afirma que os EUA não comprovaram que atos brasileiros sejam discriminatórios. Um grupo de trabalho formado por políticos, economistas e diplomatas já participou de quatro rodadas de negociação com autoridades americanas.
