Uma coisa de cada vez. E tudo ao mesmo tempo na campanha em Goiás.
1
Um 2º turno com Gracinha Caiado não eleita senadora é o pior cenário para o governador-candidato Daniel Vilela (MDB).
A avaliação passou a ser feita nos bastidores do governo depois da definição do vice, que provocou uma disputa entre Daniel e Ronaldo Caiado, que perdeu.
O engajamento do governador e do vice na campanha de Gracinha é o ponto de interrogação mais estridente entre governistas.
O engajamento de Caiado em um 2º turno será proporcional à resposta a essa questão e ao destino da candidatura de Gracinha.
Engajamento é a moeda do troco.
2
A nova onda no império da base aliada é malhar Gustavo Mendanha, candidato a senador pelo PRD.
Sua candidatura atinge Gracinha Caiado (União Brasil) e Vanderlan Cardoso (PSD) pelo que pode tirar de votos deles, segundo pesquisas recentes.
Estão incomodados. Irritados. Gracinha não esconde. Vanderlan alardeia.
E parte da estrutura do governo trabalha para desmerecer as chances de Mendanha na mídia.
Piora tudo o fato de que as ações e reações têm causado efeito inverso.
Em vez de desgaste, Mendanha ganha exposição extra. O que faz aumentar as considerações internas de que ele não só tem chance, como pode ser o mais votado.
E são as especulações que aumentam a temperatura interna.
Na convenção, seu atraso inexplicado, e sua ausência na hora dos discursos, mereceram mais atenção e espaço na imprensa do que qualquer outro presente.
Foi destaque. O fato, que era para ser desgaste, catapultou a candidatura.
O fogo amigo do governo funciona a favor de Mendanha. Ele só tem a agradecer.
3
Zacharias Calil candidato a senador é a pedra no sapato dos maiores grupos dentro do grupão da base aliada governista.
Sua candidatura incomoda Vanderlan e Gracinha. Levantamentos de coordenadores de campanha indicam que ele pode ser o segundo voto de todos.
Ou seja, tem potencial para ser o primeiro voto contra todos.
Dor de cabeça para Daniel Vilela, presidente do MDB, que não quis agir antes ou na convenção para retirá-lo da disputa.
Ou será que não? Apoiadores diretos de Gracinha e Vanderlan desconfiam que Daniel não se preocupa com isso.
Zacharias não é problema dele. Assim como o problema de Gracinha e Vanderlan também não é.
O único que ri da confusão alheia, por ter confusão própria pra cuidar (e alimentar), é Gustavo Mendanha. Mendanha pisa no acelerador. Faz poeira.
Já pensou se, apesar dos pesares, ou por conta dos pesares, tiram Zacharias do jogo?
4
Vanderlan Cardoso está descontente com muita coisa. Não esconde, nas conversas com interlocutores diversos.
Tem demonstrado insegurança sobre a reeleição ao Senado. Já era contra ter três candidatos a senador, viu as chances diminuírem com Gustavo Mendanha.
Outro que Daniel Vilela e Ronaldo Caiado poderiam ter segurado, retirado, impedido.
Vanderlan apoia Daniel, mas não deixa ninguém esquecer que sua esposa, Izaura, é suplente do senador e candidato a governador adversário: Wilder Morais, do PL.
Se Vanderlan desistir, e está sendo instado a isso, o estrago estará feito.
Opositores já montaram na torcida desorganizada, cada uma com sua esperança no caos governista.
O tamanho do possível e em qual direção, ninguém sabe. Mas especula.
5
Ernesto Roller se assustou com a informação divulgada de que ele, agora candidato a senador pelo PSDB, já foi duro crítico de Marconi Perillo. Qual a novidade?
Roller é primo de Ronaldo Caiado e assumiu secretaria no primeiro governo, renunciando à prefeitura de Formosa. Saiu descontente, especialmente com Gracinha Caiado – e vice-versa.
Até aí, nada demais. Sobram desentendimentos nascidos no governo Caiado. Não faltam contradições na campanha.
Daniel Vilela já foi oposição agressiva contra Caiado. Caiado é adversário histórico do MDB e sempre bateu firme e forte.
Wilder foi secretário em governos de Caiado e Marconi Perillo. Marconi venceu em 1998 com apoio de Caiado, derrotado por Maguito Vilela, pai de Daniel, que hoje apoia, em 1994.
A reação de Ernesto Roller é que causa espanto. Uma longa nota oficial pra dizer nada. Caiu na armadilha.
Se quis fazer do limão uma limonada, economizou no açúcar. Exagerou no adoçante. Esqueceu do limão.
6
Daniel Vilela acusou o golpe ou surfou na onda?
Em sabatina na CBN nesta segunda, 10, ele disse ser “cria de Iris Rezende”, do que tem “muito orgulho”.
Dia 3, na convenção do PL, a filha de Iris, Ana Paula Rezende, vice de Wilder Morais, discursou:
“Quem tem que pensar duas vezes antes de citar Iris é esse candidato que um dia disse que ele era velho e página virada. Quem fez do partido que Iris tanto lutou para edificar um grande balcão de negócios precisa respeitar sua história”
“Esse candidato” é Daniel Vilela, o filho de Maguito Vilela, que só virou vice em 1990 e governador em 1994, contra Caiado, por obra e nome de Iris.
Depois de 98, o tempo fez nascer fissuras na relação entre Iris e Maguito, com divisão de aliados. Deu na guerra fria, dentro do MDB, entre maguitistas e iristas.
Daniel foi a principal razão, exposta em declarações, da decisão de Ana Paula Rezende trocar o MDB pelo PL e ser vice de Wilder Morais.
Por decreto dos novos tempos, com o danielismo X anapaulismo fica restabelecido o maguitismo X irismo dentro do MDB, extensivo ao Estado de Goiás. Sem emendas.
7
A quem pertence Iris Rezende?
Quem é dono legítimo de seu legado?
Quem está autorizado, e por quem, a usar e abusar de seu nome?
Quem faz uso indevido e nada em vão de sua imagem?
Iris elege?
Iris é arma para derrotar outrem?
Não só Daniel e Ana Paula usam o nome de Iris. E isso não é negativo – para ele. É do jogo. É da História.
Iris é referência. Sobrevive ao bom e ao mau uso de seu bem histórico.
Com todo mundo usando o nome de Iris na campanha, não serei eu aquele que se atreverá a dizer o que ele pensa de tudo isso, lá onde estiver. Mas fico pensando. Você não pensa?
Iris não tinha porta-voz. Sua voz é altíssima.
Iris, o eleito de Deus. E do povo.
