Cerca de 1.038 servidoras e servidores públicos de Iporá convivem com o risco iminente de perder a cobertura do Ipasgo Saúde. A razão é uma dívida acumulada pelo município, que descontava as contribuições dos contracheques, mas não as transferia à autarquia estadual.
O cenário foi exposto em ação de improbidade administrativa ajuizada pelo Ministério Público de Goiás contra a prefeita Maysa Peres Cunha Peixoto (Avante).
O que mostram as investigações
O MPGO instaurou procedimento após representação do Sindiporá. As apurações revelaram que, a partir de outubro de 2025, os repasses se tornaram irregulares. As competências de abril e maio de 2026 sequer foram pagas.
O município também deixou de enviar as Declarações Periódicas de Contribuição de maio e junho de 2026, o que bloqueou a fiscalização dos valores devidos. O Ipasgo informou que o débito total atinge R$ 1.345.906,84.
O bolso do servidor e a saúde em jogo
A contribuição descontada mensalmente na folha de pagamento tem destino certo: manter o plano de saúde ativo. O promotor Rodrigo Piauhi Peñaranda argumenta que, ao reter esses recursos, a prefeita deu a eles destinação diversa, gerando dano ao patrimônio público.
Os juros e multas decorrentes dos atrasos provocaram prejuízo estimado em R$ 145.952,81 até julho de 2026. O valor tende a crescer enquanto a inadimplência continuar.
Medidas na Justiça
A ação pede o bloqueio de bens da prefeita, o ressarcimento total do dano (no mínimo R$ 145,9 mil), multa civil no mesmo valor, indenização por danos morais coletivos de R$ 291,9 mil, perda da função pública e suspensão dos direitos políticos.
Enquanto o Judiciário analisa os pedidos, o passivo permanece. A manutenção do convênio com o Ipasgo e a assistência à saúde de 1.038 vidas dependem da regularização dos repasses. A prefeitura não quitou integralmente os débitos até a propositura da ação.
