O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) afirmou nesta segunda-feira (10) que pretende convidar o promotor de Justiça Lincoln Gakiya para comandar o Ministério da Segurança Pública caso seja eleito nas eleições de 2026. O anúncio foi feito em São Paulo, durante a apresentação do plano de governo do candidato para a área de segurança.
Integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MPSP), Gakiya é conhecido pela atuação de cerca de duas décadas no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Ao anunciar o nome, Caiado destacou a trajetória do promotor e afirmou que considera sua atuação uma referência no enfrentamento às organizações criminosas.
“Talvez seja um dos homens que eu mais admiro pelo combate que ele tem durante uma vida”, declarou o candidato.
Segundo Caiado, Gakiya é um profissional “determinado” e “resiliente” e seria o nome escolhido para comandar a pasta em um eventual governo. “Ele é uma pessoa mais determinada em combate ao crime organizado no Brasil. Então, eu quero que ele assuma esse ministério”, afirmou.
O convite, no entanto, ainda é uma intenção anunciada publicamente pelo candidato. Gakiya não foi oficialmente confirmado para o cargo e a eventual nomeação dependeria da vitória de Caiado nas eleições e da aceitação do promotor.
Atuação contra o PCC
Lincoln Gakiya atua no Gaeco em Presidente Prudente, no interior de São Paulo, e construiu sua carreira investigando a atuação de organizações criminosas, especialmente o PCC.
Um dos episódios de maior repercussão em sua trajetória ocorreu em 2018, quando o promotor foi responsável pelo pedido de transferência de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como principal liderança do PCC, para um presídio federal em Brasília.
A atuação contra a facção também colocou Gakiya sob constante ameaça. De acordo com informações divulgadas pelo Metrópoles, a primeira ameaça de morte atribuída a integrantes do PCC ocorreu em 2005. Desde então, o promotor passou a contar com proteção policial e vive há mais de dez anos sob escolta de equipes especializadas da Polícia Militar.
O risco de ataques continuou ao longo dos anos. Em uma operação realizada em outubro de 2025, a polícia identificou cinco planos atribuídos à facção para assassinar o promotor.
Em entrevista recente, Gakiya chegou a afirmar que considera pedir asilo fora do país após se aposentar, diante do histórico de ameaças relacionadas à sua atuação profissional.
Ministério da Segurança Pública
A indicação de Gakiya está relacionada à proposta de Caiado de separar novamente o Ministério da Segurança Pública do Ministério da Justiça. O modelo já existiu durante o governo de Michel Temer, em 2018, quando Raul Jungmann comandou a pasta da Segurança Pública.
Na proposta apresentada pelo candidato, a separação teria como objetivo concentrar a estrutura federal de combate à criminalidade em um ministério específico. A pasta reuniria órgãos e forças federais envolvidos na segurança pública, incluindo a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e o sistema penitenciário.
Caiado também defendeu outras medidas de endurecimento do combate ao crime organizado. Entre elas está a criação de uma legislação específica para classificar organizações criminosas, como PCC e Comando Vermelho, além de milícias, como organizações terroristas domésticas.
O candidato também propôs a criação de uma força de cooperação policial entre países da América do Sul, chamada de SulPol. A ideia seria estabelecer uma estrutura inspirada na Europol, agência de cooperação policial da União Europeia, para ampliar o combate ao crime organizado que atua além das fronteiras brasileiras.
Segurança como bandeira eleitoral
A segurança pública deve ocupar espaço central na campanha presidencial de 2026. No anúncio de seu plano, Caiado apresentou o combate às facções criminosas como uma das prioridades de um eventual governo.
O tema também está entre as principais preocupações dos brasileiros. Segundo levantamento da Latam Pulse, divulgado em julho pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, 66,8% dos entrevistados apontaram criminalidade e tráfico de drogas como os principais problemas do país. A corrupção apareceu em seguida, com 57,9%.
A escolha de Gakiya reforça o discurso de Caiado de priorizar o enfrentamento direto às organizações criminosas. O promotor, porém, ainda não confirmou participação em um eventual governo.
A indicação também dá à campanha um caráter mais técnico para a área de segurança, ao associar a proposta presidencial de Caiado à trajetória de um investigador conhecido nacionalmente pela atuação contra uma das maiores organizações criminosas do país.
