Wilder Morais (PL), Marconi Perillo (PSDB) e Luis Cesar Bueno (PT), que foram ao debate da TV Sucesso Band deste domingo, 9, não ganharam nada.
Sem comparecer, Daniel Vilela (MDB) nem ganhou, nem perdeu nada.
O outro debate, sobre a importância de ir ou não ir a debates, acaba como começa: em retórica. Nada com nada.
Ir ou não ir faz parte da dinâmica das campanhas. Quem nunca?
Daniel precisa falar, mostrar o que pensa e o que pretende fazer, caso eleito. Deixar claro a que veio e para onde vai. Ninguém discorda.
Contudo, liderando e telhado de todos, por que o candidato Daniel iria? Qual a lógica eleitoral?
Os adversários batem no ponto de que ele não tem personalidade, é apenas a cara e a imagem de Ronaldo Caiado. Refém e frágil liderança.
Uma tese repetida. Seguem o roteiro de opositores.
Daniel segue o roteiro dele, de dono da situação. Vai a entrevistas. Não deixa de falar com o eleitor. Argumenta.
Se precisar, mudará a rota da conversa e da ação. Assim que funciona.
O que importa, para Daniel, é ser Caiado. A estratégia é essa. Apontar que continuará a fazer um governo com a cara e os resultados de Caiado, aprovados por 87% dos goianos.
Lembram do ‘Alcides é Marconi, Marconi é Alcides’ de 2006?
Alcides Rodrigues era vice, assumiu o governo em abril, com a renúncia do governador Marconi Perillo, que o apoiava, muito bem avaliado nas pesquisas, e foi para a reeleição.
Tinha método. Tinha jingle insistindo na ligação umbilical.
Volte para 2026.
Daniel é Caiado, Caiado é Daniel. Já tem jingle macetando o refrão subliminar.
A realidade só será outra depois da eleição. Antes do inferno, reina o céu da campanha.
O primeiro debate serviu de teste para todo mundo.
Os que foram, podem calcular a pegada das respostas e os despreparos – próprio e alheios. Daniel valora a ausência e observa os recursos (estrutura de apoio, redes, reação imediata, discurso) dos adversários expostos.
Não é debate para eleitor ver. A dois meses das urnas, pesquisas atestam que o eleitor nem está olhando ainda a campanha com atenção.
Na exposição, o que salta aos olhos dos estrategistas:
1
Wilder Morais tropeça nas palavras, perde-se nas informações sobre o governo e a vida comum.
Falando, deixou evidente que não sabe como funciona o sistema de saúde; que não conhece os serviços básicos oferecidos pelo Estado; que sua realidade é outra, já foi de pobre; e que não tem propostas.
Um candidato de fala pastosa, com dificuldade de articulação de frases e raciocínio.
Que falou sobre investir em infraestrutura ostentando ser engenheiro conhecedor do assunto. Sem detalhar. Sem precisão. Dono de construtora, levantou bandeira: “Vou fazer, vou construir”. Onde, como, com que transparência? A prova: ‘la garantia soy yo’.
2
Luis Cesar Bueno fez bonito mais para Lula do que para goianos. Estabeleceu seu norte: palanque para o presidente. Mostrou serviço. Criou recortes para levar a Brasília.
Precisa de apoio, estrutura, confiança para poder tocar a campanha aqui. Lançou a isca. Em Goiás, está sozinho. Está à própria sorte, largado nas divisões internas por espaço. Ele salva daqui, Lula o salva de lá. A missão.
3
Marconi Perillo está preso ao passado, com a chave da cela na mão.
Tem uma herança rica, porém usa-a para tudo, como o perdulário que saca uma moeda do bolso cada vez que abre a boca. Não há critério. Muita repetição aleatória e pouco método.
Curioso que, nas redes sociais, com o novo marqueteiro, isso está mais sopesado. Mais calculado.
As propostas se misturam na repetição do fiz e do faço.
Paulo Maluf usou e abusou do recurso. Iris Rezende, pelas mãos do mesmo marqueteiro, Duda Mendonça, bateu na tecla. Lúcia Vânia, na campanha de 1994, fez música: ‘Lúcia Vânia não promete, Lúcia Vânia faz. Ela conhece Goiás.’ Marconi conhece.
Mas há propostas. Dois pontos para observação saídos do debate:
a) impacto de algumas promessas com peso prático: concurso para cinco mil novos policiais, reestruturação do Ipasgo, revogação da cobrança previdenciária de aposentados da educação, volta da titularidade,
expansão de colégios militares e concurso público para professores;
b) troca de passe: Marconi poderá agora dizer que o covarde é Daniel Vilela, por negar-se a ir ao debate, e não ele, por mudar-se de Goiás depois que Caiado assumiu o governo, em 2018. Caiado não cansa de repetir isso e o assunto aparece como desgaste forte em pesquisas Quali.
Sobre este último tema, cabe emenda.
Daniel fujão. Marconi fujão do Estado.
E alguém poderá lembrar: Marconi fujão também de debates, quando governador em busca da reeleição.
Lula, apoiado por Luis Cesar Bueno: fujão de debates nacionais.
Flávio Bolsonaro, apoiado por Wilder: fujão dos debates pelo Brasil.
Caiado, candidato à reeleição em 2018: fujão. Este ano: denunciador dos fujões Lula e Flávio.
Mas apoiador do fujão Daniel, filho de Maguito Vilela, fujão de outros debates, só buscar na história.
Discursos trocados. Balas perdidas.
Em matéria de discurso, tem mais um usado por Marconi e Wilder que encontra eco no passado e no nonsense das campanhas.
Se pegar, pegou. Talvez pegue.
Os dois batem em Daniel por não ter experiência. Não ter trabalhado antes. Nunca ter feito nada na vida.
Marconi Perillo, quando se candidatou ao governo, tinha sido deputado federal e deputado estadual. E militante do MDB.
Daniel foi militante do MDB. Deputado federal e vereador em Goiânia. Candidato a governador. Quatro anos vice de Caiado.
Daniel foi jogador de futebol. Marconi foi garçom no bar do pai.
Wilder veio da pobreza, é fato. Mas onde vive? Qual sua agenda, quando não está na mansão em Goiânia, na fazenda com um copo na mão, ou no barco sobre o lago de Brasília, onde recebe autoridades de escalões altos?
O debate de domingo diz muito sobre a eleição em Goiás no que silencia e se contradiz.
Batista Custódio deve estar se divertindo, lá onde estiver, vendo as vestais expostas nas ruas.
Quem não quer ver o final dessa história?
