A Polícia Civil do Distrito Federal interceptou um plano de atentados a explosivos contra o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e outros prédios públicos em Brasília. As articulações ocorriam em dois grupos fechados no aplicativo Telegram, que somavam mais de 600 integrantes.
A investigação, conduzida com apoio do Ciberlab; laboratório de crimes cibernéticos do Ministério da Justiça e Segurança Pública, revelou que os participantes disseminavam ideologia neonazista, misoginia e ódio contra instituições democráticas. Na última terça-feira (4), a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão em oito cidades de cinco estados.
Grupo usava foto de Hitler e discutia alvos
Um dos canais monitorados exibia a imagem de Adolf Hitler como foto de perfil. Nas mensagens, os investigados listavam alvos e falavam em “garantir o sucesso da revolução”. “Muito dificilmente nossos inimigos estão concentrados em um único lugar”, registrou um dos diálogos.
Os administradores selecionavam integrantes dispostos a matar. Quem demonstrava radicalização era convidado para um grupo ainda mais restrito, com 46 pessoas. Ali, o conteúdo deixava de ser apenas discursivo e passava a incluir instruções práticas.
Manuais de explosivos e planta do Planalto
O compartilhamento incluía manuais de fabricação de coquetéis Molotov, cálculos de quantidade de explosivos e estimativas de custo dos ataques. Os investigados também distribuíram a planta baixa do Palácio do Planalto.
“Chegaram a mostrar: ‘A planta deles é assim, a gente pode entrar por aqui, sair por aqui’”, afirmou o delegado responsável pelo caso, identificado como Coelho.
O que diz o Ministério da Justiça
O ministro Wellington César Lima e Silva classificou as condutas como sérias e organizadas.
“Não eram práticas inocentes. O que estava ali sendo engendrado eram atentados sérios”, declarou.
Lima e Silva também alertou para a necessidade de a sociedade não normalizar esse tipo de comportamento. “O sentimento do extremismo será sempre contra o pluralismo. E nós todos, democratas, cidadãos, temos que estar vigilantes em relação a isso.”
Ciberlab produziu 103 relatórios em 2026
O Ciberlab atua em uma sala de acesso restrito em Brasília. Em 2026, já produziu 103 relatórios sobre mais de 50 grupos de ódio diferentes. Os investigadores identificam, em geral, homens jovens por trás de perfis anônimos que produzem e compartilham conteúdo racista, misógino e homofóbico.
O laboratório capturou as informações dos grupos de Telegram e as repassou a parceiros institucionais, permitindo a deflagração da operação.
Investidas contra mulheres e alvos simbólicos
As mensagens monitoradas também revelaram frequentes ataques contra mulheres; ironicamente, a investigação contou com a atuação direta de policiais femininas do Ciberlab.
O objetivo principal do grupo era explodir prédios públicos e, a partir de Brasília, enviar um recado antidemocrático para todo o país.
“A gente acredita que eles levariam [o plano] à frente. E a nossa teoria é que a gente não vai pagar para ver”, disse o delegado.
Os investigados responderão por associação criminosa, apologia e distribuição de material nazista e incitação ao crime. A investigação prossegue com a análise dos computadores e celulares apreendidos durante os mandados.
A operação sinaliza um endurecimento no enfrentamento a redes extremistas digitais que planejam ações presenciais. O mapeamento de grupos de ódio deve se intensificar, segundo o Ministério da Justiça.
