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Daniel, Caiado, Marconi e Wilder são filhos do mesmo passado. E o futuro de Goiás?

As alianças do passado e o vácuo de lideranças que define o futuro político de Goiás

ChatGPT Image 6 de jul. de 2026 11 34 35 1 | PortalGO
Daniel, Caiado, Marconi e Wilder — Colagem gerada por Inteligência Artificial com fotografias da Secom-GO, MDB, Beto Barata/PR e Agência Senado

Tem a História antes da História atual.

Não faz muito tempo, Ronaldo Caiado (PSD), Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL) eram aliados de primeira hora eleitoral.

Hoje, está cada um para o seu lado.

E Daniel, que nasceu de pai adversário dos três, está colado no que foi o maior dos adversários de seu pai, Maguito Vilela, e de seu partido, o MDB, dentre eles: Caiado.

Em 1998, Marconi era deputado federal, mas pouco conhecido dos goianos, para ser candidato majoritário. Caiado foi fundamental para fazê-lo governador.

Uma das boas histórias da campanha vencedora do chamado ‘tempo novo’ (mote da campanha que virou marca dos quatro governos marconistas), àquela época, tem os dois como personagens principais. E mostra como um foi importante para o outro.

Crescendo nas pesquisas, Marconi chamou a atenção da imprensa nacional. O Correio Braziliense, de Brasília, enviou repórter para ver de perto o que estava acontecendo.

Dessa pauta nasceu o ‘moço da camisa azul’, usado como mote para destacar a juventude e a novidade que Marconi representava. E como se deu isso?

Alguém soprou ao repórter que era assim que as pessoas se referiam ao moço que lhes acenava da caminhonete que puxava as carreatas. Algo como olha lá, o Marconi é aquele moço da camisa azul.

O clique virou peça de campanha e ganhou projeção. Virou flexão certeira no marketing da campanha. Ajudou a torná-lo mais e mais conhecido – e eleito.

As carreatas foram o recurso à mão, naquela época, para correr com a candidatura, que só foi definida mesmo no último dia de convenção, início de agosto.

Marconi tinha pressa, não dava para visitar todos os municípios com comícios, então o jeito foi esse.

A primeira, icônica, começou pela região da Estrada de Ferro. Nas campanhas seguintes, tudo recomeçava partindo de lá.

Assim como o primeiro comício se dava em Goianésia, cidade do maior apoiador de Marconi, Otávio Lage, que governou Goiás.

Mas a referência não era só ao moço da camisa azul. Era: é aquele moço, de camisa azul, ao lado do Caiado e da Lúcia Vânia.

Situemos a referência no tempo histórico: quatro anos antes, Caiado e Lúcia tinham sido candidatos a governador pela oposição, contra o candidato do governo, Maguito Vilela, apoiado por Iris Rezende.

Ganhou Maguito. Que era o adversário de Marconi, afilhado político de um adversário em particular de Iris: Henrique Santillo.

Santillo governou Goiás no PMDB com apoio de Iris, mas não alinhado a ele. Ministro da Saúde do presidente Itamar Franco, foi quem abriu caminho para os remédios genéricos.

O moço da camisa azul, ajudado pelo homem do cavalo branco, venceu em 1998.

E em 2000, dois anos depois, os dois já não estavam mais juntos.

Caiado apoiou Darci Accorsi, ex-petista filiado ao PTB de Pedrinho Abrão, a prefeito de Goiânia. Marconi apoiou Lúcia Vânia, prima de Pedrinho.

De lá para cá, Marconi e Caiado nunca mais foram os mesmos um para o outro.

Em 2018, exatos 20 anos depois da vitória maiúscula dos dois contra Iris Rezende, Caiado foi eleito governador.

Com apoio de Iris. Contra o candidato apoiado por Marconi, José Eliton. Eliton era vice e estava no governo desde abril, por renúncia do tucano.

Eliton perdeu a reeleição. Marconi perdeu para o Senado. Caiado venceu, virou governador.

Marconi e Caiado estavam definitivamente estabelecidos não como adversários políticos, apenas. Mas como inimigos políticos.

Hoje são água e óleo, para todos os efeitos externos. Nos bastidores, porém, há animadas conversas de assessores tentando uma reaproximação conveniente aos dois – e a Daniel – para esta eleição, contra o bolsonarismo.

Maguito nunca se aproximou de Marconi a ponto de se tornarem aliados. Mas nunca se opôs a Marconi de modo a fechar espaço para conversas pragmáticas.

Daniel tem em Marconi hoje o seu maior adversário político na disputa pelo governo.

Embora seus assessores vendam bem a ideia de que Marconi é o adversário preferido, o escolhido. Pela imagem desgastada. Pelo peso que é o novo contra o velho, contraponto que deu certo em 98 em favor do tucano.

E embora as conversas de bastidores abram caminho para um, quem sabe, ‘intindimento’ (diria Iris) de ocasião.

Marconi é o segundo colocado nas pesquisas. Com ou sem articulações paralelas, ele, o PT e Wilder Morais são os nomes a serem derrotados por Daniel.

Wilder entrou na história política goiana pelas mãos tortuosas da política partidária. Entrou pela porta dos fundos.

Empresário, ele chegou como nome ligado ao ex-senador Demóstenes Torres, ao então deputado federal Ronaldo Caiado e ao empresário Carlinhos Cachoeira.

Primeiro suplente de Demóstenes recém-reeleito senador, Wilder assumiu um mandato quase inteiro, quando Demóstenes caiu em desgraça nacional e foi cassado.

Senador, Wilder não se firmou. Não foi reeleito. Quatro anos depois, como bolsonarista de conveniência imediata, tentou de novo um mandato. Começou sem favoritismo, acabou eleito.

Na caminhada política, Wilder foi secretário de Estado nos governos de Marconi e de Caiado. Serviu aos dois. Ou serviu-se deles para chegar onde está.

Os três amigos do passado, no presente são adversários entre si. Até que se prove o contrário.

A História de Goiás dá cambalhotas. Passado e presente são adversários eternos enquanto duram as alianças. Aí vem a vida com suas realidades e vence, no final das contas.

No calor das horas atuais, a velha guarda se enfrenta. Sem uma nova geração que desponte com força e verve.

Mas é fato: essa velha ordem está de saída de cena. E alguém vai ocupar o vácuo. Resta saber quando. E quem.

Há esperança, no horizonte da política goiana, para quem ousar ser renovação.

Caiado é o último de uma geração de nomes (poucos dignos de serem chamados de líderes) que fizeram História contra e a favor de si próprios.

Contra e a favor, dependendo da hora, de seus discursos, nos palanques trocados em disputas pontuais.

Aliados aqui, adversários ali, o Goiás de agora é o Estado sobrevivente dessa guerra deles com eles mesmos. O resultado do combate de grupos feitos e desfeitos com o voluptuoso objetivo de se derrotar e de se vencer.

O futuro político de Goiás nascerá deste vácuo político do presente. Sem nomes, sem projetos, sem rumo.

No espaço entre a velha e a nova ordem, a eleição deste ano prepara o caminho para o que provavelmente se consolidará na eleição de 2030.

A nova ordem da política goiana está sendo plantada, não começou a ser colhida.

O vencedor fará um mandato de ligação. Será a ponte entre o nada e o lugar algum, a depender do que sair vencedor em outubro.

Não é questão de nome, mas de pensamento e forma. De projeto e consequência.

Sobre nomes: quem vai se firmar como situação e como oposição?

O campo está aberto.

Quem será o ‘novo Iris’, o ‘novo Marconi’ (o de 98), o ‘novo Caiado’, ‘o novo Santillo’, o novo ‘Otávio Lage’, o novo Pedro Ludovico.

Seja quem for, está para nascer politicamente.

Mesmo uma volta de Caiado em 2030, ou de Marconi este ano ou daqui a quatro anos, mesmo se isso acontecer, não será a mesma coisa.

Eles terão assento na transição (para Caiado) ou na renovação (para Marconi) – ou não passarão.

Daniel pode ser um dos novos, caso eleito. Ou Wilder.

Ou poderia ter sido Adriana Accorsi, com o PT finalmente entrando para valer na História de Goiás – com luta, em vez de coadjuvante útil nas alianças e vitórias alheias.

Os líderes vindouros só vingarão se o exercício do poder renovar. Ou não passarão. Não passarão de história passageira.

Daniel Vilela, Ronaldo Caiado, Marconi Perillo, Wilder Morais são filhos do mesmo passado.

Nossa salvação pode não estar no presente. O futuro de Goiás pode vir a ser adiado por mais uma eleição. Mas é inevitável.

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