Adriana Accorsi governadora e Aava Santiago senadora?
Aava Santiago governadora e Adriana Accorsi senadora?
Lula quer a primeira. Deu o recado. #fiquemsabendoadrianaeaava
A chapa não importa. Mas as duas juntas, sim.
Adriana e Aava juntas na mesma frase e na mesma chapa mexem com o imaginário da esquerda e adjacências.
Desde a notícia do encontro das duas com o presidente Lula na quarta, 6, o clima interno do chamado campo progressista amplo é de resignação e empolgação.
A empolgação não é maior porque resta incerteza sobre o que vai acontecer. Se elas vão topar. Embora a convicção seja de que ela não têm como recusar. Nem o direito, nem a ousadia (coragem?).
A resignação é um pouco “ufa!”, um pouco “Lula tá mais do que certo”, “tava passando da hora”.
As reações dão a medida da expectativa criada por Lula, inversamente proporcional à letargia que avançava.
Ajudam a entender por que os nomes acendem a imaginação ao mesmo tempo que precificam o custo da manutenção do “não” das duas.
Hoje o PT e partidos aliados não têm chapa que entusiasme e não têm esperança de boa votação no Estado, onde o bolsonarismo e o caiadismo dominam o eleitorado por ampla maioria, segundo pesquisas variadas.
Com Adriana e Aava, tudo muda. Cria perspectiva. Perspectiva é o que mata e o que ressuscita campanhas e candidatos.
O fato novo não só acende o sonho de vitória para o governo. Acende a chance de uma vaga no Senado.
O contraponto a Caiado ocorreria em dois flancos.
Duas candidatura incomodando-o onde hoje ele se sente mais confortável: os favoritismos de Daniel Vilela (MDB) para reeleição de governador, e o de Gracinha Caiado (União Brasil) para a (1ª) vaga de senadora.
Não só. Aava, na disputa para o Senado, cumpriria missão de efeito amplo.
Seria um nome para incomodar Gracinha, mas também Vanderlan Cardoso (PSD), Gustavo Mendanha (PRD), Zacharias Calil (MDB), Gustavo Gayer (PL) e todos os outros pretendentes.
Aava não seria coadjuvante. Entraria para ser protagonista. Atrapalharia o bolsonarismo e a calma na base aliada de Caiado e Daniel.
Adriana candidata a governadora daria uma chacoalhada no clima de já-ganhou de Daniel e Caiado. Tiraria exatamente a… perspectiva do quase-fato consumado da vitória governista.
Aava faria mais.
Além dela mexer nos números, podendo jogar a eleição para o 2º turno, daria fôlego indireto a Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL), por exatamente mexer na aura do favoritismo e do discurso de vitória de Daniel no 1º turno.
Tudo converge para um combo de ganha-ganha unindo PT (Lula), Marconi e Wilder em Goiás. Aí é cada um com seu tino e foco. Com gás renovado.
A imaginação acesa prospecta chapas alternativas entre os progressistas e associados.
Aava governadora e Adriana senadora é uma dessas criações de entusiastas do significado das duas juntas.
Aava candidata a governadora, com Adriana fora da majoritária, também acende interesses. Não é ideal, mas tá valendo.
Ao mesmo tempo, pensem no custo de Aava e Adriana dizerem “não” a Lula neste momento.
É dizer não apenas a Lula, mas à base lulista em Goiás. A que vota em Adriana e Aava. Que podem elegê-las ou derrotá-las.
O custo embutido ao gesto é ele ser lido como traição. E cair como prejuízo na conta eleitoral, direto nas urnas de outubro.
E isso dito sem soar como ameaça, pois causa e efeito inevitável das ações políticas de grupo. Lei do pragmatismo político.
O que Lula fez foi mais do que cobrar de Adriana e Aava que joguem pelo grupo.
Ele abriu um horizonte – para ele, mas também para elas.
Lula mostrou que a esquerda e seus aliados não estão mortos em Goiás. Há saída. Há alternativa. Para ganhar no voto ou não perder em outras frentes.
Novas, Aava e Adriana têm tempo a ganhar e a perder. Correr risco é do jogo. Lula ganhar ou perder é parte, não é sentença. Correr da briga é que é imperdoável.
Adriana e Aava estão sendo pressionadas por suas virtudes e conquistas positivas até aqui.
São novidades arejadas em um Estado envelhecido de lideranças. Resta Caiado. Depois, é ninguém. Ainda.
A perspectiva da transição da velha para uma nova ordem, que vai começar de todo jeito – pelo imperativo do espaço vago – é urgente.
Está para nascer o novo que vai preencher o vazio político que existe hoje no Estado.
Sobre este assunto, falo mais aqui. Nos links abaixo:
Daniel, Caiado, Marconi e Wilder são filhos do mesmo passado. E o futuro de Goiás?
Daniel, Marconi, Wilder. É o que temos para hoje e o futuro de Goiás. Esperança ou medo?
