Quem ainda deixa dinheiro na poupança está perdendo para a inflação ou ganhando muito pouco. A retirada líquida de R$ 39,3 bilhões no primeiro semestre de 2026, revelada pelo Banco Central nesta quarta-feira (8), mostra que o brasileiro está aprendendo a migrar — ainda que lentamente — para aplicações mais rentáveis.
A caderneta rende 70% da taxa Selic mais a Taxa Referencial (TR). Com a Selic em patamar elevado, o rendimento fica bem abaixo do que oferecem alternativas de baixíssimo risco, como o Tesouro Selic, que paga 100% da taxa básica.
Para onde o dinheiro está indo
O Banco Central não detalha no relatório da poupança o destino dos recursos sacados, mas dados de mercado indicam crescimento das aplicações em títulos públicos, CDBs, fundos de renda fixa e LCIs/LCAs. A expansão das plataformas digitais de investimento também facilita o acesso do pequeno poupador a esses produtos.
Apesar da perda de atratividade, a poupança mantém um estoque de R$ 1,020 trilhão. Parte desses recursos pertence a pessoas que valorizam a simplicidade e a liquidez imediata da caderneta. Outra parte é de valores que permanecem parados por inércia.
O que muda
A migração de recursos da poupança para outras aplicações é um processo gradual. A cada ciclo de juros altos, uma nova fatia de poupadores descobre alternativas. A expansão do open finance e das fintechs acelera esse movimento.
A tendência é de continuidade. Enquanto a Selic estiver elevada, a poupança seguirá perdendo recursos líquidos. O saldo total pode permanecer na casa de R$ 1 trilhão, mas a composição do estoque tende a mudar, com a saída de investidores mais informados e a permanência de poupadores de menor renda.
