O Conselho Municipal de Saúde de Goiânia encontrou uma série de inconsistências numéricas e documentais na prestação de contas da Maternidade Célia Câmara. A análise, referente ao segundo semestre de 2025, revelou que a antiga gestora declarou cerca de 200 profissionais, enquanto o CNES registrava 332; uma diferença de 132 trabalhadores.
A discrepância não foi a única. O relatório apontou divergências entre metas pactuadas e a produção assistencial informada, além de diferenças entre datas de notas fiscais emitidas pela Prime Med Soluções em Saúde Ltda e os registros de liquidação.
Notas fiscais sob suspeita
As notas fiscais também apresentaram inconsistências quanto ao local de execução dos serviços. Em alguns casos, os dados cadastrais das empresas contratadas divergiam entre o CNPJ e o serviço descrito na nota. A contratação de uma UTI Móvel foi feita sem justificativa documentada.
A OS contratou empresas de auditoria, consultoria e assessoria, mas não demonstrou objetivamente os serviços executados e os resultados alcançados. A prática, segundo o Conselho, indica possível uso indevido de recursos públicos.
O contexto
A Sociedade Beneficente São José de Herculândia administrou a maternidade de agosto de 2025 até a suspensão do contrato em abril de 2026, quando a SMS apontou falhas na prestação de serviços. O Instituto Patris assumiu a unidade.
A SMS ainda não foi notificada oficialmente, mas afirmou que analisará o relatório. Os números levantados pelo Conselho poderão subsidiar ações de ressarcimento e investigações complementares. A antiga OS não se pronunciou.
