Depois de iniciar o mandato sob decreto de calamidade financeira, o prefeito Sandro Mabel (União Brasil) utilizou a prestação de contas do primeiro quadrimestre de 2026 para sustentar que Goiânia entrou em uma nova fase da gestão. Em audiência pública realizada nesta segunda-feira (6), na Câmara Municipal, o prefeito apresentou um pacote de indicadores fiscais para defender que o período de reorganização das contas foi concluído e que a administração passa a concentrar esforços na ampliação dos investimentos.
O principal argumento da gestão é o salto nos investimentos públicos. Entre janeiro e abril, a Prefeitura aplicou R$ 292,9 milhões, frente aos R$ 35,7 milhões registrados no mesmo período de 2025, crescimento de 719,39%. Segundo Mabel, o resultado amplia a capacidade do município de executar obras de infraestrutura e outros projetos considerados estruturantes.
Além dos investimentos, a administração destacou que a arrecadação municipal alcançou R$ 3,76 bilhões no primeiro quadrimestre, enquanto as despesas liquidadas somaram R$ 3,33 bilhões. O período foi encerrado com superávit de R$ 423,9 milhões, crescimento nominal da receita de 7,42% em relação ao ano anterior e ganho real de 2,9%, descontada a inflação.
Outro indicador utilizado para reforçar o discurso de recuperação financeira foi a melhora da Capacidade de Pagamento (Capag), concedida pelo Tesouro Nacional. A classificação do município passou de C para A, avanço que amplia as possibilidades de contratação de financiamentos com garantia da União para execução de novos investimentos.
Os dados apresentados pela Secretaria Municipal da Fazenda também mostram expansão da arrecadação impulsionada pela atividade econômica da capital. O Imposto Sobre Serviços (ISS) arrecadou R$ 541,9 milhões entre janeiro e abril, alta de 12,13% em relação ao mesmo período de 2025. Também cresceram os repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), do ICMS e do Fundeb.
Na avaliação do secretário municipal da Fazenda, Oldair Marinho, os resultados representam uma mudança de etapa na administração. Segundo ele, o foco inicial da gestão foi recuperar a saúde financeira do município e restabelecer indicadores fiscais, enquanto o momento atual passa a priorizar a execução de investimentos e obras.
A prestação de contas também mostrou que o resultado primário atingiu R$ 264 milhões, quase o dobro da meta anual prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), enquanto o resultado nominal chegou a R$ 389,1 milhões. A Dívida Consolidada Líquida encerrou o quadrimestre em R$ 325,9 milhões, abaixo da meta estabelecida para o período.
O que está em jogo
A apresentação dos números tem peso político para a gestão. Depois de justificar medidas de contenção de despesas com o decreto de calamidade financeira no início do mandato, Mabel passa a construir uma nova narrativa: a de que o ajuste produziu resultados e abriu espaço para ampliar investimentos sem comprometer o equilíbrio das contas públicas.
O desafio da administração agora será transformar os indicadores fiscais em entregas percebidas pela população, especialmente em áreas que seguem concentrando cobranças, como saúde, trânsito e zeladoria.
