A pesquisa Real Time Big Data desta terça, 21, mostra Ronaldo Caiado (PSD) à frente de Lula (PT) em um eventual 2º turno para presidente: 44% a 43%.
Ela bate em cheio com o discurso que Caiado vem fazendo e repetindo nos últimos dias. O de que é o único que ganha do petista no enfrentamento direto.
A mesma Real Big Data atesta que Flávio Bolsonaro é mais rejeitado (50%) que Lula (48%). Coincidência incrível, dirão.
A Quaest de 10/13 de julho já trazia: parte da direita está migrando de Flávio para o banco reserva. Os indecisos estão crescendo. Provavelmente à espera de uma alternativa eleitoral.
Mais coincidência. Os números fazem coro com a realidade. Há no noticiário um claro derretimento do apoio da direita nao-bolsonarista ao bolsonarista Flávio.
Na segunda, 20, como coroamento dessa nova lógica, o jornal Estadão publicou editorial que fez muitos lembrarem de outro, pró Jair Bolsonaro, aquele famoso “O mal menor”.
O título do texto do Estadão nesta segunda, 20: “Uma chance de ouro para a direita”. Incrível.
Diz lá: “Diante das dificuldades de Flávio nas pesquisas, abre-se nova oportunidade para que a direita se afaste dos Bolsonaros e articule uma alternativa real a Lula, antes que seja tarde.”
Escrito e desenhado.
É a chance que Caiado buscava. A janela de oportunidade. O cavalo arriado. Se der certo.
Gilberto Kassab, seu vice e presidente nacional do PSD, é o fiador da convergência das atenções para o nome de Caiado. O que parece.
Coincidentemente, depois dele ser confirmado vice, a visão de que dá pra ganhar de Lula, desde que o candidato não seja Flávio, ganhou corpo e evidência como manchete.
Tá no Estadão:
“Se o objetivo da oposição é desalojar Lula da Presidência, impedindo mais um desastroso mandato petista, já passou da hora de discutir a sério se Flávio Bolsonaro é mesmo o nome ideal para essa tarefa. Sabemos que não é nem nunca foi.”
Quando Caiado foi lançado candidato, em maio, Kassab sugeriu que se ele chegasse a 15% seria ótimo. E que a meta era ter 10% até julho. O cenário mudou. As pretensões são outras, maiores.
A costura envolve interesses nacionais. Mais Estadão:
“Eis, portanto, uma chance de ouro para que a oposição de direita finalmente se liberte dos Bolsonaros e, antes que seja tarde, se articule para oferecer aos eleitores o melhor dos dois mundos: uma candidatura capaz não só de derrotar Lula, mas também de conduzir o Brasil para uma urgente mudança de rumos“
Estamos falando de política sendo feita em escala hard.
As pesquisas recentes mostram uma mesma coisa: que Flávio cai nas intenções de voto, mas que não cairá o suficiente para sair de forma espontânea do jogo antes das convenções.
Um empurrão vem a calhar, para a direita. Para Lula, do jeito que está, fica.
O jogo atual é de conveniência para o petista.
1
Flávio emagrece enquanto ele engorda, sem fato novo – sem nome novo – que possa atrapalhar a estratégia.
2
A todo instante anuncia-se que há mais munição contra Flávio. O fogo da fritura fica sempre aceso.
Há método nisso.
A notícia do fato é fato negativo de campanha para Flávio. Quem lucra? Wuem melhorou nas pesquisas e na avaliação do governo?
Enquanto isso, fatos negativos envolvendo aliados próximos de Flávio surgem a conta-gotas.
De negativo em negativo, com chumbo no peito e pelos flancos, Flávio é desconstruído sistematicamente.
Há tempos há método nisso.
Lula sempre teve um plano. Faltava aos adversários. Uma estratégia.
Parte da direita não engole mais Flávio e os Bolsonaro. Essa a boa notícia para Caiado, que não tem do que reclamar. Só cavalgar.
Caiado montou no arreio. Ativou as esporas. Flávio sente o freio. Lula galopa. Quem vai cair do cavalo?
