A BK Bank, fintech que o Ministério Público de São Paulo colocou no centro da Operação Fluxo Oculto; braço da Carbono Oculto que apura lavagem de dinheiro do PCC no setor de combustíveis, operacionalizou programas sociais do governo de Goiás e movimentou R$ 1,36 bilhão entre 2021 e 2025. Os recursos transitaram pela GoiásFomento, agência de fomento estadual, e custearam transferências de renda e cartões de benefícios para a população de baixa renda. A mesma empresa manteve contratos com órgãos federais como Exército, Correios e Serpro.
O governo goiano afirmou que firmou os contratos antes de as investigações virem a público e declarou que interrompeu novas movimentações com a fintech em agosto de 2025.
Diante da revelação do caso, o pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD), que governava o estado na época dos contratos, responsabilizou o governo federal pela ausência de um aviso prévio.
“Se essas pessoas têm vínculo com o narcotráfico, isso deveria ter sido preventivamente informado ao governo do Estado, já que apenas o Coaf do governo federal tem acesso a dados do sistema financeiro que permitiriam a identificação e a ação preventiva”, declarou.
A cobrança, no entanto, ignora a função legal do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O órgão comunica operações suspeitas a autoridades investigativas; Ministérios Públicos e polícias, não a governos estaduais. Além disso, as comunicações do Coaf não equivalem automaticamente à comprovação de crimes.
A Operação Carbono Oculto já investigava distribuidoras e operadores financeiros do setor de combustíveis. A nova fase ampliou o foco para instituições de pagamento e fintechs que, segundo os investigadores, pulverizam e fragmentam movimentações financeiras para dificultar o rastreamento de recursos.
A BK Bank, registrada no Banco Central como BK Instituição de Pagamento S.A. e vinculada à FBK Holding, aparece nesse ecossistema. Até o momento, os investigadores não formalizaram acusação contra o governo de Goiás ou contra os órgãos públicos que mantiveram contratos com a fintech; a apuração segue concentrada na conduta das empresas privadas e nos fluxos financeiros analisados.
