Os Estados Unidos decidiram classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO). O anúncio oficial, assinado pelo Secretário de Estado Marco Rubio, entra em vigor a partir de 5 de junho e repercute intensamente no cenário político brasileiro, com forte reação da oposição.
A reação de Ronaldo Caiado
Logo após a divulgação da medida, o ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República aprovou a postura de Washington em vídeo publicado nas redes sociais. Caiado utilizou o fato para direcionar duras críticas ao Palácio do Planalto e lamentou o fato de o Brasil não ter tomado a vanguarda dessa postura jurídica.
“A única frustração minha é que eu não cheguei à Presidência da República para que eu tomasse essa iniciativa, que pudesse mostrar para o mundo que no comando de Caiado realmente não teria espaço para corrupto e muito menos para faccionado no território brasileiro. Infelizmente, tá aí Lula, você desmoralizando o país e a população brasileira”, declarou o ex-governador em seu pronunciamento.
O recado de Washington
A decisão da Casa Branca ocorreu em um momento de intensa articulação da oposição brasileira em Washington. Dias antes do anúncio, parlamentares como os senadores e deputados Flávio e Eduardo Bolsonaro cumpriram agendas oficiais com Marco Rubio e com o próprio Donald Trump. Após a divulgação, Flávio comemorou nas redes sociais com a frase: “Grande dia!”.
No comunicado oficial do governo norte-americano, Marco Rubio ressaltou que o CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do país. “Juntas, elas comandam milhares de membros e têm orquestrado ataques brutais contra policiais brasileiros, autoridades públicas e civis. Sua influência e suas redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, alcançando toda a nossa região e também o nosso país”, afirmou o secretário de Estado.
Por que isso importa e os riscos à soberania
Sob o selo de organização terrorista, as duas maiores facções brasileiras sofrem sanções econômicas severas. O governo americano passa a ter amparo legal para congelar bens patrimoniais, bloquear contas bancárias internacionais, proibir transações comerciais e deportar membros associados aos grupos.
Esse cenário preocupa a diplomacia brasileira. Nos bastidores, a gestão federal tentou evitar a classificação por meses, sob o temor de que a medida abra precedentes para intervenções externas ou sanções econômicas graves em setores estratégicos do mercado nacional. Analistas e especialistas em direito internacional apontam que a mudança altera o nível de sigilo de dados estratégicos e centraliza investigações na CIA ou em órgãos militares, o que possui o potencial de inviabilizar cooperações bilaterais em curso.
Pela legislação brasileira, os grupos continuam enquadrados como organizações voltadas ao lucro, uma vez que não possuem as motivações políticas ou religiosas necessárias para a definição jurídica de terrorismo.
