A Justiça do Distrito Federal condenou na segunda-feira (13) o psicólogo Pablo Stuart Fernandes Carvalho a uma pena de 9 anos de reclusão em regime inicial fechado. A sentença é resultado de uma denúncia de maus-tratos sistemáticos que envolvem o desaparecimento e a morte presumida de pelo menos 17 gatos, utilizados pelo réu em supostos “experimentos”.
A decisão, proferida pelo juiz Romero Brasil de Andrade, da 2ª Vara Criminal do Gama, também proíbe o psicólogo de adotar novos animais e determina a inclusão de seu nome no Sistema de Cadastro Nacional de Animais Domésticos do Ministério do Meio Ambiente (Sinpatinhas). Apesar da gravidade da pena, o magistrado concedeu ao réu o direito de recorrer em liberdade.
O esquema das doações e o sumiço dos animais
Segundo a denúncia do Ministério Público, Pablo Stuart utilizava uma estratégia de convencimento baseada em “discursos afetivos” para atrair doadores de felinos. Entre setembro de 2024 e março de 2025, o psicólogo teria recebido diversos animais que, logo em seguida, eram submetidos a condições extremas de crueldade.
A investigação revelou um detalhe macabro: o psicólogo demonstrava preferência por gatos de pelagem tigrada. A intenção era facilitar a dissimulação perante os antigos tutores; ao ser cobrado por notícias, Pablo enviava fotos de outros animais semelhantes para esconder que os gatos originais haviam desaparecido ou morrido sob sua guarda.
Áudios revelaram ‘experimentos’ e negligência
Durante o processo, foram apresentados áudios onde o réu admitia realizar “experimentos” com os animais adotados. Testemunhas e evidências colhidas apontam que os gatos eram mantidos em ambientes insalubres, propícios à proliferação de doenças, e frequentemente eram deixados trancados sozinhos, sem acesso a água ou comida por longos períodos.
Embora o juiz tenha criticado a condução da Polícia Civil por não ter realizado busca e apreensão no apartamento do réu — o que impediu a prova material direta das mortes —, o magistrado considerou que o conjunto probatório de maus-tratos era irrefutável. Um dos casos emblemáticos foi o do gato Joey, resgatado com uma das patas fraturadas.
Posicionamento da defesa
Em nota, o advogado Diego Araújo, responsável pela defesa de Pablo Stuart, afirmou que recebe a sentença com respeito, mas reforça a tese de inocência do cliente. A defesa sustenta que a presunção de inocência deve ser mantida até o trânsito em julgado e confirmou que adotará as medidas cabíveis nas instâncias superiores para tentar reverter a condenação.
