O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a Nova Délhi nesta quarta-feira (18) para uma visita oficial que tem como um dos pontos altos a participação na cúpula sobre inteligência artificial (IA) a partir de amanhã (19). Lula discursará ao lado de líderes mundiais e executivos do setor na plenária de alto nível do evento, que começou na segunda-feira (16).
A cúpula dá continuidade ao “processo de Bletchley“, fórum intergovernamental que discute segurança, governança e colaboração global em IA. Os debates incluirão o financiamento para democratização da tecnologia e seu uso para empoderamento social, inovação e desenvolvimento. O Brasil participa pela primeira vez de um evento global de alto nível sobre o tema com um presidente em exercício.
Na sexta-feira (20), o governo brasileiro promove o evento paralelo “IA para o bem de todos“, que apresentará as perspectivas nacionais para o futuro da inteligência artificial. Ministros das pastas de Ciência, Tecnologia e Informação, Gestão e Inovação, Educação, Saúde e Comunicações estarão presentes.
Esta é a segunda viagem de Lula à Índia no atual mandato e retribui a visita do primeiro-ministro Narendra Modi ao Brasil em julho de 2025, durante a Cúpula do Brics.
“A agenda representa novas oportunidades de cooperação bilateral, especialmente em termos econômicos, turísticos, agrícolas, energéticos e sustentáveis”, afirmou a Presidência.
Parcerias estratégicas
Brasil e Índia, parceiros estratégicos desde 2006, devem firmar acordos sobre terras raras e minerais críticos, além de assinar a declaração Brasil-Índia sobre parceria digital para o futuro. A visita também reforçará as negociações para ampliar o acordo Mercosul-Índia e oficializará a extensão da validade de vistos de negócios e turismo para dez anos.
O governo espera avanços na colaboração entre a Embraer e a Adani Defense & Aerospace, gigante indiana do setor aeroespacial. Em 2025, a Índia foi o quinto maior parceiro comercial do Brasil, com corrente de comércio de US$ 15,2 bilhões, ocupando o 10º lugar no ranking de destinos das exportações brasileiras, que incluem petróleo, açúcar, óleos vegetais e minério de ferro.
As relações bilaterais vivem momento de ascensão, sustentadas por complementaridades econômicas e tecnológicas. Durante a visita de Modi ao Brasil em 2025, os países estabeleceram cinco pilares prioritários para a próxima década: defesa e segurança; segurança alimentar; transição energética; transformação digital; e parcerias industriais.
A Índia, potência farmacêutica, deve firmar com o Brasil acordos para atrair investimentos, ampliar acesso a medicamentos e fomentar pesquisa. Lula e Modi, alinhados em pautas internacionais, devem assinar documento sobre multilateralismo, reforma do Conselho de Segurança da ONU e a situação de Gaza.
Lula inaugurará o escritório da ApexBrasil na Índia e participará de fórum empresarial com mais de 300 brasileiros dos setores agropecuário, saúde, tecnologia, minérios, alimentos e fármacos.
Coreia do Sul
Após deixar Nova Délhi no sábado (21), Lula segue para Seul. Entre 22 e 24 de fevereiro, ele se reunirá com o presidente Lee Jae Myung e com executivos sul-coreanos, além de participar de fórum com cerca de 230 empresários brasileiros.
O governo pretende assinar o Plano de Ação Trienal 2026-2029, que elevará a relação bilateral a parceria estratégica, impulsionando negócios em agricultura, aviação, saúde, cooperação financeira, cosméticos, fármacos, ciência e tecnologia. O comércio bilateral atingiu US$ 10,8 bilhões em 2025, com a Coreia do Sul como 13º destino das exportações brasileiras, principalmente petróleo, minério de ferro, farelo de soja, álcool e café.








