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Campanhas em GO têm muita pesquisa, mas estratégia de menos. Candidatos perdem a noção

O excesso de pesquisas e a falta de estratégia que confundem os candidatos nas campanhas em Goiás.

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Imagem gerada por Inteligência Artificial

Campanha, você pode até errar NO rumo, mas se errar O rumo, não tem volta.

A frase é um dos ensinamentos do marqueteiro Jorcelino Braga. Experiente, focado, simples na visão e na solução, Braga aplica o que teoriza.

Uma de suas primeiras providências, quando um candidato ou candidata chega até ele, é fazer pesquisa. Depois, conversar bastante, conhecer a realidade política pertinente, ouvir quem confia. Então vem o passo decisivo: apontar o rumo.

Braga costuma fazer isso unindo labor com prazer. Apaixonado por música, violão sempre por perto, uma de suas primeiras providências então é elaborar o jingle.

Um processo artesanal, frase por frase. Sentido e sentimento. Tom e sobre tom.

O jingle diz tudo. Leva o conceito a sério. E tem o balanço, que Braga cuida para ser aquele “chiclete”.

Chiclete é a musiquinha de campanha que não sai da cabeça da gente. E que não é pra sair mesmo. Ela leva a mensagem e o objetivo é martelar essa mensagem no cérebro do eleitor.

Este ano, há um ambiente curioso nos bastidores das campanhas. Os três pré-candidatos que primeiro se apresentaram estão fazendo pesquisas.

Daniel Vilela (MDB), Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL) acompanham rudo o tempo todo. Daniel e Marconi, mais. São curiosos e se pretendem guiados pela ciência. O que é fato, em parte. Porque tem um detalhe aí escapando deles e geral.

Há mais pesquisa circulando em Goiás do que em outras campanhas. Pesquisas sem registro, para consumo interno, qualitativas e quantitativas.

(Tem bastante pesquisa registrada e divulgada também. Mas isso é outra história. Algumas nem são pesquisas de verdade. São peças de propaganda. Assunto para outra hora.)

Curioso porque o mercado de pesquisas mudou muito. As boas estão mais caras, e as ruins, baratas demais. E a qualidade, huuuummmm… quanta diferença entre elas.

Você pode argumentar: mas o maior problema é a credibilidade, que anda em baixa acelerada.

Meu amigo, preciso falar a real: sempre foi assim. As pessoas, no atacado, xingam as pesquisas, esconjuram a estatística, maldizem os institutos.

Porém correm pra ver e divulgar todo e qualquer relatório que lhe chega aos olhos.

Devora números com voracidade, verdadeiros ou falsos. Bons ou ruins.

Índice torto ou não vira assunto. É como comentar impedimento antes do VAR. Ou o gol de mão do Maradona. Quem nunca? Quem evita? Treta da vida.

Tanta pesquisa, entretanto, parece estar fundindo a cabeça de candidatos. Números demais e compreensão de menos tá dando bug nos desavisados. E nos despreparados.

Candidato contrata uma pesquisa, lê, e aí vem a dúvida. Contrata outra, e não se dá por satisfeito. Pega a do adversário, que vazou – sempre vazam, por erro ou como método -, e enxerga essa como verdade, e normalmente é a que não prevê bom futuro para ele.

Fica um fuzuê na mente que resulta em consequências graves, como a falta de escolha de quem vai dar o rumo da campanha e cuidar que essa campanha se mantenha no rumo certo.

Junte isso ao fato de que candidato é antes de tudo um pretenso marqueteiro infalível – como todo brasileiro é técnico de futebol e especialista em par ou ímpar -, e temos o caos dentro do caos fazendo poeira de rodamoinho.

Campanha é caos até combinam. Mas arrogância e derrota é decisão pessoal de quem se acha eleito por Deus.

Deus elege todos, meu caro. Quem vai elegê-lo nas urnas é o povo.

Não basta fazer pesquisa. Não basta viver o ambiente da política. Não basta ser candidato ungido e rico e espertalhão. É preciso saber o que é preciso – nas duas acepções da palavra e da expressão.

Colocar uma campanha no rumo certo não é tarefa para amadores.

Delegar o futuro de um projeto politico, o resultado da sua candidatura (para quem busca mandato) na loteria de quem fala bonito sobre campanha mas não conhece o feio, isso nem é risco. É outra coisa.

Ler pesquisas, cenários, processar informações variadas e encontrar o fio da meada da vitória requer mais do que boa vontade ou esperteza. E o profissional que reúne tais qualidades está escasso no mercado.

Não tenho estatística sobre isso. Falo movido pela percepção. Claro, com base na realidade que vejo, sinto, ouço, reconheço. No extrato das conversas que diariamente tenho.

O que mais falta nesta eleição não é pesquisa. É leitura correta.

Sei que o “correta” da frase entra na conta da subjetividade máxima.

Quero dizer leitura que mostre uma candidatura a deputado, a vice, ao Senado, ao governo, com conteúdo e forma bem delineados.

Daniel Vilela, Marconi Perillo e Wilder Morais têm pesquisas em mãos. O que os diferencia: 1) objetivos (não são iguais; logo, os remédios serão diferentes); 2) as leituras de cenário; 3) posicionamentos estratégicos.

Nessa vão é que se define boa por parte da “sorte” deles. Errou o rumo: derrota; acertou: chance de vitória.

É na leitura também que as campanhas se preparam para os reveses das inevitáveis gestões de crise no batidão dos dias até as convenções e até a votação.

Sabe, essas coisas básicas, incontornáveis, do chão de campanha.

O que tem de campanha montada em cima de circunstâncias, e não de verdades (candidato não gosta disso) e materialidades (fatos, necessidades básicas e rumo), você não vai acreditar. Um primor de amadorismos.

Há políticos experientes que sabem o que estão fazendo. Tocam campanhas robustas e de menor custo. Focadas.

Há as campanhas milionárias, que não se preocupam com estratégia porque dinheiro (ou cargos públicos distribuídos em dúzias) está sobrando. E por isso são favoritas.

Porém o que mais há é pré-candidato atirando pra todo lado, desperdiçando estrutura, tempo e a oportunidade de ser eleito.

A eles, nada falta. Nem pesquisa. Nem estrutura. Nem chance. Falta bom senso e rumo. O básico do básico.

A esses, o mais provável é que em outubro falte o que seria mais conveniente sobrar: voto.

Goiás é terra de bons marqueteiros. De institutos de pesquisa de credibilidade reconhecida. De gestores de campanha competentes. E de estrategistas tarimbados para assessoramento. E de candidatos à altura, também.

Essa turma nem sempre está sentando na mesma mesa. E andando no mesmo rumo.

Pesquisa faz bem.

A ciência e a percepção estão presentes na eleição. A grande ausente é a noção. A falta de noção está deitando e enrolando campanhas – e candidatos.

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