O Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás (CBMGO) confirmou, neste sábado (11), o afastamento imediato das funções operacionais do soldado investigado pela morte do cão comunitário Brutus. O incidente, ocorrido no último domingo (5) no estacionamento do Estádio Serra Dourada, em Goiânia, gerou forte comoção social e agora avança para uma nova fase jurídica e administrativa.
Além de ser retirado das ruas, o militar enfrenta um processo que pode resultar na suspensão de seu porte de arma. Segundo a corporação, a decisão foi tomada com base nos novos desdobramentos da investigação conduzida pelo Grupo de Proteção Animal (GPA) da Polícia Civil de Goiás. A medida visa garantir a lisura do processo enquanto as autoridades determinam se houve excesso ou conduta ilícita por parte do servidor público.
Conflito de versões
O caso é marcado por narrativas divergentes. Em depoimento à Polícia Civil, o bombeiro — que não teve a identidade revelada — afirmou ter agido em legítima defesa. Segundo sua versão, ele teria sido atacado por uma matilha de cães de rua e tentado repelir Brutus inicialmente com tapas e o uso de um aparelho celular. O disparo teria sido efetuado após, supostamente, ter sofrido mordidas.
Entretanto, o histórico do animal é um ponto central de contestação por parte de moradores e frequentadores da região do Jardim Goiás. Brutus era descrito como um cão comunitário dócil, alimentado regularmente por vizinhos e sem registros prévios de agressividade. Até o momento, a defesa do militar não apresentou laudos médicos ou registros fotográficos que comprovem as lesões causadas por mordidas, alegando ainda não ter tido acesso integral às provas.
Desdobramentos
A conduta do soldado é alvo de duas frentes de apuração: um Inquérito Policial Militar (IPM), instaurado pela própria corporação, e a investigação da Polícia Civil. Caso fiquem comprovadas irregularidades, o militar poderá ser punido tanto na esfera administrativa — com sanções que variam de advertências à exclusão — quanto na esfera criminal, respondendo por maus-tratos a animais com resultado de morte.
Enquanto o inquérito avança, grupos de proteção animal organizam manifestações na capital goiana pedindo rigor na aplicação da lei. O desfecho do caso deve estabelecer um precedente importante sobre o uso de força letal por agentes de segurança em situações envolvendo animais em áreas urbanas.
Nota na íntegra
“O CBMGO informa que, diante de novos fatos relacionados ao caso que culminou na morte de um cachorro comunitário no estacionamento do Estádio Serra Dourada, a Corporação afastou das funções operacionais o militar responsável pelo disparo que provocou a morte do animal, bem como adotou as providências para a suspensão do porte de arma do militar.
O Inquérito Policial Militar instaurado pela Corporação para apurar a conduta do militar segue em curso e, caso seja comprovada a existência de conduta ilícita, o militar poderá ser punido criminal e administrativamente.
Assessoria de Comunicação Social/BM-5″
