Entenda o que é um acelerador de partículas e para que ele funciona

Com campos eletromagnéticos intensos, essas supermáquinas impulsionam partículas a velocidades próximas à da luz para estudar os blocos fundamentais da matéria — incluindo o maior deles, o LHC, e o brasileiro Sirius.

Compartilhe

Fonte: Maximilien Brice (CERN) – Uma seção do túnel do LHC, maior acelerador de partículas do mundo

O que são aceleradores de partículas?

Aceleradores de partículas são dispositivos científicos que impulsionam partículas carregadas — como prótons, elétrons e íons — a velocidades próximas à da luz. Isso é possível por meio de campos elétricos que aceleram as partículas e campos magnéticos que direcionam suas trajetórias em linhas retas ou circulares.

Essas partículas, ao colidirem com alvos fixos ou outras partículas em movimento, geram fenômenos de altíssima energia. O que é registrado por detectores altamente sensíveis. Essas colisões permitem aos cientistas observar partículas subatômicas raras e entender melhor as forças que regem o universo, como a gravidade, o eletromagnetismo e as forças nucleares.


Como essas máquinas funcionam na prática?

O processo começa com uma fonte de íons, que pode gerar partículas como elétrons (aquecendo metais ou usando descargas elétricas) e prótons (pela ionização do hidrogênio). Essas partículas, já separadas, são então aceleradas por campos elétricos e controladas por campos magnéticos gigantescos.

A trajetória das partículas precisa ser ajustada continuamente, pois à medida que ganham velocidade, elas também aumentam sua energia cinética, tornando mais difícil alterar seu percurso. Por isso, os ímãs precisam ser cada vez mais potentes para manter as partículas no caminho desejado.

As colisões podem ocorrer de duas formas:

  • Alvo fixo: o feixe de partículas colide com um material estacionário.
  • Alvo móvel: dois feixes são lançados em direções opostas e colidem entre si — gerando colisões ainda mais energéticas.

O que se busca com essas colisões?

O principal objetivo é estudar as partículas elementares — como quarks, glúons, bósons e suas respectivas antipartículas — que compõem tudo o que existe. Muitas dessas partículas só aparecem por frações de segundo durante essas colisões, o que exige detectores altamente avançados.

Além da física fundamental, os aceleradores têm aplicações práticas, como:

  • Geração de radiação síncrotron, usada em exames de imagem e tratamentos contra o câncer;
  • Análises estruturais de materiais em nível atômico;
  • Desenvolvimento de novas tecnologias em energia, defesa e saúde.

O maior acelerador do mundo: o LHC

O LHC, sigla para Large Hadron Collider, é o maior e mais potente acelerador de partículas do mundo. Construído pelo CERN (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear), ele começou a ser planejado em 1998 com a colaboração de mais de 100 países. Localizado a cerca de 100 metros de profundidade na fronteira entre a França e a Suíça, o túnel circular do LHC possui 26.659 metros de circunferência e foi construído no local do antigo acelerador LEP.

Com um custo estimado de 7,5 bilhões de euros até 2010, o LHC entrou em operação oficialmente em 10 de setembro de 2008, e registrou sua primeira colisão entre prótons em 30 de março de 2010. Diferentemente de outros aceleradores que colidem elétrons e pósitrons, o LHC colide feixes de prótons com energia de até 7 TeV cada, totalizando 14 TeV por colisão. Com uma luminosidade integrada de 100 fb⁻¹ por ano, o LHC busca recriar condições do universo logo após o Big Bang para explorar os fundamentos da matéria.

O acelerador conta com 1232 ímãs bipolares supercondutores de 35 toneladas, que operam a temperaturas de -271,3 °C (1,9 K), próximas ao zero absoluto. Para atingir esse nível de resfriamento, o sistema usa 10.080 toneladas de nitrogênio líquido e 60 toneladas de hélio líquido, fazendo do LHC o maior sistema criogênico do mundo.

Além das temperaturas extremamente baixas, o LHC também opera em um ambiente de ultravácuo, com uma pressão interna seis vezes menor que a da superfície lunar, permitindo que os feixes de prótons completem mais de 11 mil voltas por segundo dentro do anel. Durante as colisões, são geradas temperaturas mais de 100 mil vezes superiores ao centro do Sol, tornando o LHC uma das máquinas com os pontos mais quentes da galáxia no anel mais frio do universo.

Os detetores gigantes (ATLAS, CMS, ALICE e LHCb), com tamanho equivalente a prédios de cinco andares e pesando até 12.500 toneladas, registram milhões de colisões por segundo, permitindo análises com precisão de mícrons e trilionésimos de segundo. Um dos grandes marcos do LHC foi a descoberta do bóson de Higgs em 2012, validando parte essencial do Modelo Padrão da física de partículas.

O processamento e análise de dados do LHC exigem uma rede global de supercomputadores, chamada de Grelha (Grid), que conecta milhares de cientistas em todo o mundo. Só os dados anuais do LHC seriam suficientes para encher cerca de 100 mil DVDs de dupla camada.

Apesar das controvérsias iniciais e até teorias infundadas de fim do mundo, o LHC continua sendo um dos empreendimentos científicos mais ambiciosos da história humana, buscando respostas para questões como a origem da massa, a existência de dimensões extras e partículas além do modelo padrão, como as supersimétricas.


O Brasil também tem um gigante: o acelerador Sirius

O Sirius é o mais avançado acelerador de partículas da América Latina e um dos mais modernos do mundo, sendo classificado como uma fonte de luz síncrotron de quarta geração. Localizado em Campinas (SP) e operado pelo Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), o Sirius possui 518,4 metros de circunferência e energia de 3 GeV, com emissão de radiação que abrange do infravermelho aos raios-X.

Sua construção, que teve início em 2015 e foi concluída em etapas até 2020, demandou um investimento de R$ 1,8 bilhão, financiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, com apoio da FAPESP. A inauguração da primeira etapa ocorreu em 2018, com a presença do então presidente Michel Temer.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações – Prédio do Sirius

Com 90% de suas peças produzidas no Brasil, o Sirius é um marco da engenharia nacional. O prédio de 68 mil metros quadrados é protegido por 1 km de paredes de concreto com 1,5 m de espessura, blindando os usuários contra a radiação. O acelerador conta com 10 linhas de luz já abertas para pesquisadores externos, e suas aplicações envolvem desde o desenvolvimento de medicamentos até a pesquisa de novos materiais, agricultura, petróleo, ciências ambientais e arqueologia.

Durante a pandemia de COVID-19, o Sirius teve papel crucial ao realizar experimentos de cristalografia na linha Manacá, ajudando na compreensão da estrutura de proteínas relacionadas ao vírus SARS-CoV-2. O acelerador opera atualmente com corrente de 200 mA em modo top-up, garantindo alta estabilidade do feixe.

Por sua altíssima brilhância e precisão, o Sirius se destacou, nos primeiros meses de operação, como a fonte de luz síncrotron mais brilhante do mundo, colocando o Brasil na vanguarda da ciência global. Ele substitui o antigo UVX, em funcionamento de 1997 a 2019, e representa a maior infraestrutura científica já construída no país.

Recentes
Bilionários ficam 16% mais ricos em 2025
Bilionários ficam 16% mais ricos em 2025
Economia · 47min
INSS suspende atendimento em 90 cidades amanhã
INSS suspende atendimento em 90 cidades amanhã
Economia · 11h
Marrocos aciona FIFA contra Senegal e CAF
Marrocos aciona FIFA contra Senegal e CAF
Esportes · 13h
Goianão: Vila vence e clássico termina 1 a 1
Goianão: Vila vence e clássico termina 1 a 1
Esportes · 14h
Mais do PortalGO
© Valter Campanato/Agência Brasil
Alerta: Anvisa suspende glitter para comida
Anvisa manda recolher produtos Morello e apreende itens da Nykax por origem desconhecida e irregularidades graves. Veja mais. 19 jan 2026 · Saúde
Reprodução
Colisão de trens mata 39 e fere 123 na Espanha
Grave colisão de trens na Espanha deixa 39 mortos e 123 feridos. Investigação aponta falha técnica nos trilhos. Confira os detalhes. 19 jan 2026 · Mundo
Reprodução
Desaparecimento de corretora em Caldas Novas: porta foi deixada aberta e encontrada trancada
Câmeras não mostram Daiane deixando o prédio 19 jan 2026 · Goiás
Square Enix/Divulgação
Lançamentos: Final Fantasy VII Remake chega ao Xbox e a estreia de Arknights: Endfield
Penúltima semana de janeiro é marcada por ports aguardados para Switch 2 e Xbox, além de RPGs estratégicos e o retorno de Cult of the Lamb 19 jan 2026 · Cultura
Reprodução: Maps
Google Maps exibiu local de detenção de Bolsonaro como “Centro de Solução para Golpistas”
Ex-presidente está detido em Sala de Estado-Maior na Papuda 19 jan 2026 · Política
Aparecida entrega kits escolares e uniformes a mais de 44 mil alunos nesta terça
Reajuste do imposto segue apenas a inflação oficial medida pelo IPCA, de 4,46%. 19 jan 2026 · Educação
Fotos: NCI PRF
Final de semana nas rodovias federais de Goiás deixa quatro mortos e 13 feridos
Ultrapassagens proibidas seguem entre as principais causas de mortes no trânsito 19 jan 2026 · Segurança
Reprodução
BBB26: Globo detalha conduta de Pedro e bastidores de sua desistência
No confessionário, Pedro admitiu ter confundido o pedido de ajuda da colega na despensa com um sinal de interesse 19 jan 2026 · Entretenimento
Foto: Divulgação
Sport, Náutico e Santa Cruz lançam coleção inspirada em “O Agente Secreto”
“O Agente Secreto”, vencedor do Globo de Ouro, inspirou coleção de camisas dos times de Recife: Sport, Náutico e Santa Cruz. 18 jan 2026 · Esportes
Foto: Divulgação
Jornalista Erlan Bastos morre de tuberculose rara
Jornalista Erlan Bastos morreu aos 32 anos em Teresina (PI) vítima de tuberculose peritoneal, forma rara da doença. 18 jan 2026 · Notícia