A Nottus divulgou nesta quinta-feira (18) um estudo que detalha como o El Niño; confirmado pela Noaa na última semana, moldará o inverno brasileiro. A estação começa às 5h25 de domingo (21) e, embora o frio dê as caras, os termômetros devem ceder a partir de agosto, com ondas de calor no interior do país.
O sócio-diretor Alexandre Nascimento explica que o aquecimento anormal do Pacífico equatorial (a partir de 0,5 °C acima da média) freia as temperaturas muito baixas.
“Os efeitos do El Niño devem frear as baixíssimas temperaturas neste ano, principalmente de agosto em diante”, diz.
A combinação de estiagem e ventos do Norte eleva gradualmente os termômetros na segunda metade da estação, resultando em uma sensação de inverno mais ameno; o que não elimina o frio, apenas o torna mais curto. “El Niño não tem frio? Tem, mas são eventos curtos, muito rápidos”, completa.
Mês a mês
- Julho: chuva acima da média entre o Sudeste e o Centro-Oeste; no Sul, as precipitações ganham força a partir do interior.
- Agosto: as maiores concentrações de chuva vão para o extremo norte, a faixa leste do Nordeste e o Sul, com volumes acima da média histórica. Entre Minas Gerais, Goiás e o interior nordestino, o período seco típico se consolida. “De agosto em diante, a gente pode começar a ter pelo interior do país ondas de calor”, projeta o meteorologista. Áreas do centro do país também podem registrar veranicos — tempo seco e temperaturas atipicamente elevadas durante o outono/inverno.
- Setembro: a chuva se intensifica no Sul, superando a média climatológica, enquanto o Nordeste mantém precipitação abaixo da média nas faixas leste e norte.
Apesar da previsão de chuva farta no Sul, Nascimento afasta, por ora, o risco de temporais como os que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. “Sem previsão de eventos extremos, nada comparado àquilo, por enquanto”, pontua.
A Noaa indica grande chance de o El Niño atingir a categoria “Super” a partir de setembro, com aquecimento do mar acima de 2,5 °C, e o fenômeno deve persistir até ao menos o primeiro semestre de 2027. O governo federal montou uma Sala de Situação Interministerial para coordenar respostas a eventuais desastres.
A Nottus avalia que, em 2026, o El Niño pode beneficiar o sistema elétrico, porque a chuva no Sul e em partes do Sudeste abastece os reservatórios das hidrelétricas. O cenário muda para 2027.
“Existe uma pressão bem grande, por conta do El Niño, de a gente ter um consumo elevado no primeiro trimestre, por conta de ondas de calor, e não chover tanto no Norte e no Nordeste”, alerta Nascimento.
