O Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) é o passaporte indispensável para quem deseja exercer a advocacia de forma legal no país. A avaliação, obrigatória para a inscrição nos quadros da instituição, também recebe estudantes de Direito matriculados no último ano da graduação. O certame ocorre três vezes por ano com um objetivo claro: verificar a capacitação, os conhecimentos e as práticas necessárias para o exercício profissional.
A prova possui duas fases distintas. A primeira etapa consiste em um teste objetivo com 80 questões de múltipla escolha. Já a segunda fase exige o desenvolvimento de uma peça jurídica e a resposta a quatro questões discursivas, com foco na área de especialidade escolhida pelo candidato no ato da inscrição.
Calendário de transição: atenção aos prazos de 2026 e 2027
Para um planejamento eficiente, o candidato deve acompanhar de perto o cronograma oficial. Historicamente, as provas de primeira fase ocorrem nos períodos de fevereiro/março, julho/agosto e outubro/novembro/dezembro. No entanto, a OAB estabeleceu um calendário atípico de transição para as edições de 2026 e 2027 com o objetivo de evitar o período das Eleições Gerais de 2026.
Sob este planejamento especial, o fluxo do certame divide-se nos seguintes períodos:
| Exame | Publicação do Edital | Prova da 1ª Fase |
| 46º Exame (Início do ano) | Janeiro | Maio |
| 47º Exame (Meio do ano) | Maio | Setembro |
| 48º Exame (Fim do ano / Transição) | Setembro | Janeiro do ciclo seguinte |
Os passos para a aprovação
A eficácia de um método sólido se confirma na prática com o exemplo de Emilly Alvarenga A bacharela em Direito conquistou a aprovação logo na primeira tentativa e detalha a estratégia adotada de forma a servir de base para um roteiro voltado a quem pretende alcançar a carteira vermelha.
1. Antecipe o início da preparação
O primeiro passo é a tomada de atitude ainda durante a faculdade. Ao chegar ao nono período do curso, Emilly percebeu a necessidade de uma postura ativa. A linha de partida exige a transição imediata para uma rotina com foco exclusivo no formato da banca examinadora.
2. Alie a resolução de questões à lei seca
A familiaridade com o estilo da prova nasce da constância. O hábito de resolver de 10 a 15 questões diárias aponta, de imediato, os pontos fracos do estudante. Paralelamente, a consulta direta ao Vade Mecum fixa os dispositivos legais vinculados a cada exercício.
3. Construa uma pirâmide de relevância jurídica
O edital distribui pesos distintos para cada disciplina, o que exige foco proporcional. Emilly adotou um modelo visual para a divisão do tempo: “Foquei mais nas matérias com maior peso na prova, como Ética, criando uma espécie de ‘pirâmide de matérias’ as de maior incidência no topo e as de menor peso em níveis inferiores.”
4. Escolha a segunda fase por afinidade teórica
A prova prática exige afinidade com a disciplina escolhida. Aprovada em Direito do Trabalho, Emilly resgata o valor do material acadêmico construído ao longo da graduação. “Nessa etapa, abri meus cadernos da faculdade e selecionei todas as peças cabíveis, treinando ao máximo a elaboração prática, fazia de 2 a 3 provas antigas por semana”, detalha.
5. Adote um ciclo diário de três etapas
A fórmula ideal de estudo diário possui um roteiro claro:
- Prática: Resolução de questões de exames anteriores.
- Diagnóstico: Correção minuciosa e identificação do motivo de cada erro.
- Aprofundamento: Revisão teórica da falha por meio da lei seca e de cadernos de apoio.
6. Estabeleça uma frequência de simulados
Na primeira fase, o contato com os testes deve ser diário. Já na segunda etapa, em razão da alta complexidade da redação de peças, a recomendação é a execução de duas a três provas completas por semana, com o objetivo real de controlar o tempo de duração do exame.
7. Faça uma curadoria limpa do material didático
O excesso de apostilas e o acúmulo de vídeos na internet provocam dispersão. A base do estudo deve ser segura e tradicional. “Como eu ainda estava na faculdade, utilizava os livros indicados pelos professores, pegando-os na biblioteca e usando-os como guia principal”, conta Emilly. Ela deixa um alerta essencial: “O mais importante é nunca estudar sozinha, sempre se apoiando em alguma doutrina ou referência confiável para garantir um embasamento seguro.”
8. Altere a estratégia na reta final
A última semana que antecede a prova não serve para o aprendizado de conceitos inéditos. Nesse momento, faça uma pausa nos exercícios exaustivos e utilize as aulas de revisão de cursos preparatórios para fixar os pontos principais e relembrar dicas pontuais.
9. Desmistifique o peso emocional do exame
O equilíbrio psíquico define o sucesso no dia do exame. Encarar o teste com naturalidade reduz a pressão e afasta o nervosismo. “Me forcei a encarar a prova como apenas mais um treinamento, como todas as outras que já havia feito. Procurei pensar que seria apenas mais um dia da minha vida”, revela Emilly.
A bacharela ressalta ainda a importância de manter a calma: “Se não desse certo, haveria outras oportunidades ao longo do ano, o mundo não iria acabar por causa de uma prova.”
10. Conheça o histórico de quem está enfrentando
A Fundação Getulio Vargas (FGV) mantém uma forte regularidade na cobrança dos temas ao longo dos anos. Passar de primeira requer mapear esse comportamento estratégico, identificar as próprias fraquezas e contornar os obstáculos com técnicas de memorização e agilidade.
O conselho de ouro: “A preparação deve ser construída ao longo de meses, e não apenas na última semana. Você não compete contra outros candidatos, mas sim contra si mesmo e contra tudo o que aprendeu nos cinco anos de faculdade”, conclui Emilly Alvarenga.
*Edição: Laila Melo
