A CBF reuniu na tarde desta segunda‑feira, em um hotel na Barra da Tijuca (Rio de Janeiro), dirigentes dos 40 clubes das Séries A e B para apresentar um estudo que visa à adoção de uma liga única no futebol brasileiro.
Atualmente divididos entre os blocos comerciais Libra e FFU, os clubes receberam um cronograma sugerido pela entidade. Eles podem enviar propostas e sugestões até o fim de julho. A CBF pretende inaugurar o estatuto da futura liga até dezembro de 2026.
O cronograma em três fases
- De maio a julho de 2026: coleta de sugestões e elaboração de propostas
- Agosto a setembro de 2026: apresentação, ajustes e aprovação das propostas
- Outubro a dezembro de 2026: estruturação das fases de comercialização e redação do estatuto da liga
O encontro serviu para a CBF mostrar um diagnóstico comparando o futebol brasileiro com as principais ligas europeias: Premier League (Inglaterra), La Liga (Espanha) e Bundesliga (Alemanha). A entidade identifica um “gap sistêmico” do Brasil em relação a essas competições em parâmetros como calendário, tempo de jogo, estrutura de estádios, transmissão, governança e sustentabilidade financeira.

Os dirigentes da CBF defenderam que, antes de os clubes discutirem a divisão da receita, ponto central de brigas comerciais como a recente entre Flamengo e os demais clubes da Libra, é necessário ampliar significativamente os valores arrecadados. Qualquer novo acordo de venda de direitos de transmissão só entrará em vigor a partir de 2030, uma vez que os contratos atuais dos dois blocos comerciais valem até 2029.
A CBF destaca que a receita da liga brasileira corresponde a menos de um terço da receita da Bundesliga. A Alemanha tem 84 milhões de habitantes e 18 clubes na primeira divisão; o Brasil tem 210 milhões de habitantes e 20 clubes na elite.
Pesquisa encomendada pela CBF revela que cerca de 140 milhões de brasileiros torcem para algum time, e 40 milhões se declaram fanáticos por futebol. Com esses números, a entidade considera o produto subvalorizado e com grande potencial de crescimento.
Dez dimensões em que o Brasil fica atrás
A CBF elencou dez aspectos nos quais o futebol brasileiro perde para as ligas europeias: calendário, tempo de jogo, estádio (público e segurança), estádio (infraestrutura), transmissão, comunicação e redes sociais, marketing, êxodo de talentos, governança do regulamento e sustentabilidade financeira.
Um dado chamativo: 80% dos jogos do Brasil acontecem no período noturno (início após as 16h30), contra apenas 25% na Inglaterra, 60% na Espanha e 30% na Alemanha. A CBF acredita que isso afeta a presença de público nos estádios, que já é menor do que nas ligas europeias. Uma pesquisa Nexus feita em parceria com a CBF mostrou que 74% dos entrevistados se sentem inseguros ao ir a estádios.
Temas polêmicos vão para a liga de clubes
A CBF pretende transferir para a futura liga as discussões mais sensíveis. O tipo de gramado é um dos principais: Atlético-MG, Athletico, Botafogo, Chapecoense e Palmeiras utilizam gramados sintéticos na Série A, mas a maioria dos clubes defende a proibição desse tipo de campo.
Outros pontos em pauta incluem a possibilidade de reduzir de quatro para três o número de rebaixados no Brasileirão e a regulamentação do limite de estrangeiros por partida, atualmente, os clubes podem escalar até nove jogadores de fora do país.
