Uma atualização da corrida eleitoral em Goiás aponta um cenário mais de distanciamento – um do outro – dos corredores do que de mudança de posição na pista.
A troca de percepção política de quem pode ganhar foi a única novidade recente.
Marconi Perillo (PSDB) era um adversário para polarizar com Daniel Vilela (MDB), que assume o governo em poucos dias. Não é mais.
Wilder Morais (PL), ao confirmar sua candidatura, passou a ser visto como o nome da vez. Representa o bolsonarismo, que tem chão fértil no imaginário político goiano.
Marconi segue com o que vem sendo sua estratégia básica: esperar o caos na base governista. Esperar que, após a saída de Ronaldo Caiado (PSD) do governo, Daniel será esvaziado em termos de apoio de lideranças municipais.
O evento de Jaraguá no sábado, 14, marcou o chamamento dessa base governista para o campo de guerra. O “exército” foi oficialmente mencionado por Daniel em seu discurso. Retórica recorrente no MDB.
Agora ninguém mais disfarça. Todos estão em campanha. Porém com a diferença de que nada mudou no que estava previsto, o que é boa notícia para Daniel.
O governo está em ação com força total e partindo do pressuposto de que não existe eleição ganha por antecipação – algo mencionado em ênfase por Caiado e Daniel nos seus discursos em Jaraguá.
“A estrutura agora vai moer”. A frase, de uma liderança emedebista acostumada a embates do Estado, é bem típica de momentos decisivos.
Significa que Daniel sai na frente nas pesquisas e tanto ele quanto Caiado, se já estavam empenhados na disputa, agora vão “pra cima”. Ou seja: vão jogar tudo pra vencer.
Tal disposição conta muito. Por uma razão simples: as apostas em supostas fragilidades de lideranças atribuídas a Daniel, e eventuais desconfianças no empenho que Caiado dedicará a Goiás, serão testadas na prática, mas principalmente serão confrontadas no ‘chão da fábrica’ – o campo de guerra eleitoral que o Estado representa – pelos adversários.
Uma coisa é o governo desdenhar os adversários, o que não está fazendo – mostra isso exatamente colocando faca nos dentes de seu exército.
Outra coisa são os opositores menosprezarem Daniel e Caiado como adversários – o que demonstram fazer apostando mais nos erros alheios do que nos próprios acertos.
Wilder, Marconi e o PT pouco acertam. Jogam tudo nos erros de Daniel. E por enquanto estão perdendo espaço e a pré-campanha.






