O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) apresentou uma proposta de tarifa de 25% sobre uma ampla lista de mercadorias brasileiras. A medida ocorre após o fim de uma investigação sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que aponta práticas comerciais supostamente prejudiciais por parte do governo brasileiro.
Apesar do impacto potencial sobre a economia, o governo americano preservou setores considerados cruciais para o abastecimento global e para as indústrias locais.
O que ficou de fora da taxa?
A lista de isenções poupa itens de forte peso na balança comercial brasileira. Entre os principais produtos livres da sobretaxa estão:
- Setor industrial de alta tecnologia: Aeronaves, peças de aviões, compostos químicos orgânicos e produtos farmacêuticos.
- Agronegócio e insumos: Cafés, chás, especiarias, cereais, sementes, frutas, tipos de carnes e fertilizantes.
- Outros setores: Materiais informativos, doações humanitárias e terras raras.
Caso não lembre… Esta ofensiva comercial começou em julho de 2025 por ordem direta do presidente Donald Trump. No início deste ano, a Suprema Corte dos EUA derrubou as sanções unilaterais anteriores que chegavam a 40%, sob o argumento de que o Executivo não possui esse poder de forma isolada. Atualmente, vigora uma taxa temporária global de 10% sobre os produtos nacionais.
Interlocutores apontam que a visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca na última semana teve influência para que as taxas se concretizassem. O senador negou ter tido essa postura em entrevista à Radio Itatiaia:
“Eu pedi expressamente ‘não taxem as empresas brasileiras’. Em 2027 vocês vão ter um governo que vai colaborar com vocês. Vamos incentivar o nosso agro, o pix, o etanol. Podemos sentar de igual pra igual”, explicou o senador.
Quais são as queixas de Washington?
O relatório final da USTR detalha barreiras comerciais distribuídas em eixos centrais:
- Pix e Mercado Digital: Os EUA contestam ordens judiciais de remoção de conteúdo direcionadas a redes sociais americanas. Além disso, criticam o Banco Central por atuar como regulador e dono do Pix, o que limitaria o espaço de empresas de pagamento dos EUA.
- Mercado de Etanol: O relatório indica que o Brasil interrompeu em 2017 a reciprocidade tarifária sobre o biocombustível norte-americano.
- Propriedade Intelectual e Justiça: O órgão aponta a lentidão do INPI na análise de patentes e cita a anulação de processos da Operação Lava Jato como um retrocesso no combate à corrupção.
Por que isso importa: A imposição dessas barreiras frustra os planos de aproximação do governo brasileiro com a Casa Branca. As reuniões do grupo de trabalho comercial não alcançaram avanços suficientes para encerrar a disputa de forma amistosa.
Na prática: Abre-se agora um período de consultas públicas e audiências em Washington até o início de julho. O prazo legal definitivo para que os EUA apliquem ou reformulem as sanções contra o Brasil expira no dia 15 de julho de 2026.
