Mestre Bordoni já chamou a atenção para o novo fenômeno político do jornalismo. Ou seria o contrário?
O segundo turno tá valendo mais que o primeiro. O que parece. O que é real: o destaque ao eventual segundo turno como fato relevante para tentar influenciar o primeiro.
Assim as manchetes dizem: todos empatam com Lula no secundo turno. E podem ganhar.
Lula também pode ganhar de todos, claro. Mas a manchete que importa é a outra.
Ela tensiona.
Pré-define que haverá segundo turno.
Em caso de… Está lá, no conceito da manchete e do debate direcionado.
Ele diz, sem dizer. Ninguém (o eleitorado) entende, mas entende como é preciso. Na precisão estratégica.
E o pleito se relativiza com relativa verdade.
Lula continua liderando, apesar dos pesares do governo avaliado no negativo. Mas isso conta?
Não está errado Ronaldo Caiado destacar que, pelos resultados da mais nova rodada da RealTime Big Data, ele e Lula empatam no mesmo índice.
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Faz parte do jogo usar artes e manhas para se viabilizar. E essa é a cruzada de Caiado neste momento: mostrar-se competitivo e capaz de vencer o petista.
O discurso do pré-candidato goiano permanece centrado em Lula. Caiado é o anti-Lula. Reforça isso o tempo todo.
É um discurso para vencer a esquerda. Não é propriamente um discurso para conquistas a direita e o centro.
Discursando para o centro e a direita do eleitorado estão todos, inclusive Lula.
Flávio Bolsonaro fala para os seus. Sua bolha. E se esforça para ampliar o palanque.
Romeu Zema fala para quem quer ouvir. Diferente de Caisdo, tenta furar a bolha dentro da bolha: a bolha Fechada com Flávio dentro da bolha da direita e do bolsonarismo.
Os outros pré-candidatos atiram. São balas perdidas. Acertou, bem. Não acerto, nem também: fica para a próxima eleição. 2030 é logo ali.
Uma eleição que se define no segundo turno é uma ficção ululante. Mas as manchetes são reais demais para serem ignoradas.
Fazem parte da disputa atual. São militantes.
Suficientes para definir uma eleição? Não vem ao caso agora.
Agora o jogo é outro: empurrar indefinições e adiar favoritismos, enquanto chegam as convenções.
Vitória em segundo turno é só uma ficção. Mas como dói na realidade.
Talvez a frase devesse ser mais aceita assim:
Suposta vitória em suposto 2º turno é só uma suposta ficção.
Na imaginação, voa. Mas, na realidade, como dói.
Pré-supostamente falando.
