Um título abrindo o noticiário político do jornal O Popular em 2001 sempre me vem à memória como exemplo de como uma campanha bem feita pode mudar os rumos de uma eleição.
O título apontava um fato que perecia inabalável, à época: dizia pesquisa Serpes que o emedebista e pré-candidato a governador Maguito Vilela estava 16 pontos porcentuais à frente do tucano governador Marconi Perillo.
Maguito era favoritíssimo. Marconi estava na baixa, desgastado depois de derrotar Iris Rezende em 1998, ano em que Maguito deixou o governo com aprovação nas alturas e foi eleito senador.
O que fez Maguito: nada. Deixou o tempo passar. Os números e a situação não o favorecia? Então. Jogou com o tempo, administrando a vantagem competitiva.
O que fez Marconi: começou o Governo Itinerante – uma espécie de mutirão turbinado – e se jogou no meio do povo.
Sola de sapato e máquina de campanha moendo. Sem preguiça.
Com o seu ‘tempo novo’, engoliu o tempo adverso – ou: o tempo limpo e favorável a Maguito.
Leio agora que em Pernambuco o favoritismo do ex-prefeito João Campos foi ultrapassado pela máquina de campanha da governadora Raquel Lyra.
De repente, o jogo virou por lá. Nada decidido, claro. Tem muito chão até outubro. Mas a mudança no cenário é fato.
É fato também que a máquina de moer adversário entrou em ação e o milagre aconteceu. Milagre. Sei.
Em Goiás, a máquina está nas mãos de Daniel Vilela, que vem a ser filho de Maguito.
Marconi é o Maguito da vez. Com uma diferença digna de nota: o PSDB nunca foi do tamanho do MDB. E tá menor que naquele tempo. Detalhe.
O que isso quer dizer? Fico pensando.
Maguito não está mais aí. Daniel se fia em Ronaldo Caiado, que perdeu disputa de governador para Maguito em 1994.
Marconi tem discurso demais e aliados (e estrutura) de menos.
E no meio da confusão tem Wilder Morais (PL) com o imprevisível bolsonarismo, que pode muito bem atropelar tudo e todos e escrever outra história nada tenha a ver com o que aconteceu em 2002, quando Marconi venceu Maguito no primeiro turno.
Penso nessas coisas.
E outra coisa mais grita aos olhos das lições da história: eleição ganha é fácil de ser perdida.
Um erro aqui, um vacilo acolá, arrogância demais na linha de frente, pretensão demasiada mas sem lastro em comitê de campanha… Essas coisas impactam.
Essas coisas definiram o jogo várias vezes. Definiram no embate Marconi versus Maguito. Em 2002 e em 2006, quando Maguito novamente largou como favorito e perdeu. Para quem? Alcides Rodrigues, o vice de Marconi.
Lembro do jingle: “Alcides é o nooooome!” Lembra? (Tinha até aquela parte subliminar. Deixa quieto).
O jingle criado pelo marqueteiro Jorcelino Braga enfatizava, em síntese, sem medo de ser literal: Alcides é Marconi, Marconi é Alcides. Sou um, sou o outro, tá na letra.
Fosse hoje, o jingle diria: Daniel é Caiado, Caiado é Alcides. Marconi não é o homem.
O jingle:
