O discurso que aponta para favoritismo em eventual 2º turno, e que o melhor candidato é o ex-governador goiano Ronaldo Caiado, não mexe nos resultados das pesquisas.
Nem a denúncia do caso Banco Master abalou as estruturas. Veja o novo DataFolha. Lula e Flávio Bolsonaro estão lá em cima do gráfico. Caiado está embaixo, empatado com Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo)
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“Me coloquem no 2º turno que eu ganho a eleição” é tese que não pegou em favor de Caiado. O eleitor está em outra.
Outra coisa que os números do DataFolha indicam: o discurso ajuda Flávio – por até reforçar a expectativa de um 2º turno, mas com a visão de que o único nome capaz de vencer Lula é Flávio.
Reforçar. Como uma campanha subliminar nesss direção.
Porque essa percepção não é nova. Explica em parte a liderança de Flávio.
Está assentada no seu sobrenome, movimento estratégico calculado pelo pai, Jair, quando este o bancou como nome da direita bolsonarista à Presidência.
O fato de Ronaldo Caiado ser um político com preparo melhor ou pior que Flávio não encontra eco no eleitor é nada indica que isso vá mudar.
É um argumento racional, e não emocional. Eleição não é decidida com a razão.
E a confiança de que Flávio definhará, abrindo caminho, e que o ocupante natural desse buraco será goiano, é um sonho caiadista, e não bolsonarista. Não seria melhor acordar para a realidade?
Caiado não tem um discurso que o distinga dos adversários. O mais das vezes, faz uso de três pontas:
1) o antipetismo;
2) suas qualidades individuais, com moral irretocável, história política combativa e defesa do Agro;
3) realizações em um governo (de Goiás) de sete anos aprovado por mais de 80%.
Não há futuro. Nem esperança. Sobram medo e pressão na mente dos brasileiros.
A retórica é o ambiente natural de Caiado. A ênfase e a estridência são suas armas de mão.
Mas se mostra insuficiente. As pesquisas deixam claro.
Falta urgente a Caiado um discurso.
Em 2018, o “devolver Goiás aos goianos” pegou. Foi de “arrocha!”, o que também pegou como um meme de motivação para militância. Eleito governador. E reeleito em 2022 na mesma premissa.
Discurso não é jogo de palavras. É posicionamento. É encontro entre a razão e o coração do eleitor.
Falta a Caiado ir ao encontro desse eleitor. Por enquanto, está indo de encontro às urnas.
