Há uma distinção básica no “vamos ganhar no 1º turno” pronunciado por Ronaldo Caiado em Uruaçu, dia 13, e o “já ganhou” característico de quem está certo da vitória e comemora por antecipação.
E é isso aqui: a base começa a duvidar de si mesma, e da vitória. Nem chegou ao ponto de cantar vitória. Quem conta e canta vitoria é a cúpula.
Daniel Vilela (MDB) tem o favoritismo a seu favor. O que, em princípio, é uma bênção. Até se tornar o avesso.
Se a expectativa de reeleição se inverte, o chão cede. Ou, em outra imagem, a barragem trinca. Basta um furo pra explodir tudo.
Na visão de bastidores entre os wue fazem campanha no chão da fábrica (nas ruas), Daniel está muito poder e pouco candidato.
No governo desde abril e procurando mostrar-se digno e apto ao cargo como condição estratégica para merecer a reeleição (visão dada por pesquisas internas), o novo governador está entregue ao personagem: o de protagonista absoluto no poder.
Porém, na medida em que se entrega ao novo papel, negligencia o outro, de coadjuvante de uma engrenagem de campanha que pode elevá-lo – ou derrubá-lo.
Resumem assim, os atentos companheiros de partido e grupo: Daniel se afasta, com os dias, do papel de alguém que precisa ouvir mais e usar menos a máquina; de a quem se recomenda afagar mais e contrariar menos as bases no interior; daquele que convém atentar mais para os códigos partidários e de alianças histórias, e impor menos a própria vontade.
Daniel está ciscando mais para fora do que para dentro, dizem, em resumo.
Os descontentes crescem. Só prestar atenção. Estão tagarelas nos bastidores.
Talvez isso explique a animação nos grupos de pré-campanha dos adversários, que contabilizam apoios silenciosos de governistas com vontade de falar mal do candidato governista e mudar de caminho, em direção às linhas anti-governistas.
Apoiar ou não um candidato é escolha. Escolher um lado é fato natural. Quando tais questões se tornam incontornáveis, a lógica ensina: uma eleição é decidida nos detalhes.
Veja uma das reverberações.
Um nome muito próximo de Ronaldo Caiado conta que ele anda incomodado com o andamento da pré-campanha em Goiás. Por motivos variados, dois em especial.
Um é que gostaria de mais empenho em seu favor e, especialmente, de Gracinha Caiado para o Senado. Há pouca ação. Pouca reciprocidade. E enfrentamentos internos por espaços.
É hora?
Outro é preocupação direta com a falta de construção da pré-candidatura à reeleição. É o ciscar para dentro empacado.
Caiado tem opção de apoio. Aguarda. Wilder Morais torce.
O ritmo de Daniel Vilela é de organização de projetos novos no exercício do governo transitório, e não de foco na reeleição agora para colheita futura. Ainda que a reeleição seja uma disputa, e não uma certeza.
Harvard demais, pragmático de menos, Daniel fecha os espaços de governar aos dispostos a ajudar a ganhar. Não há sinalização de compartilhamento do poder futuro.
Isso dá medo em Caiado, na prática. E esse medo está se estendendo aos aliados. Não medo dos adversários. Mas da derrota – e suas consequências. Ou da ilusão da vitória. Ajudar a ganhar para ser excluído depois.
O brado “vamos ganhar no 1º turno” é antes de tudo um grito de alerta, antes do desespero.
