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Ronaldo Caiado mudou na forma, mas sempre foi o mesmo no conteúdo. Até agora.
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O político Ronaldo Caiado passou por uma transformação nas últimas décadas.
Fez a travessia do tribuno intransigente e pouco afeito a composições, portanto visto como sem chance de chegar ao Executivo, para um articulador objetivo, competente no foco e nos resultados.
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Articulando com Iris Rezende (MDB), Caiado tornou-se senador pelo MDB quando Iris foi derrotado na tentativa de voltar ao governo.
Com Iris ao fundo – o emedebista não entrou com os dois pés na campanha para governador em 2018 -, venceu Daniel Vilela, o nome do MDB, e assumiu o governo em janeiro seguinte.
De novo em tabelinha com Iris, acomodou Daniel na sua vice, abrindo caminho para a volta do MDB ao poder agora, em 2026.
Iris não está mais aqui para ver a última costura que alinhavaram juntos, mas ela deu nisso: Daniel no poder e favorito à reeleição.
Um ganha-ganha histórico no embalo de 2022, com a reeleição de Caiado no primeiro turno.
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Foi o que permitiu a Caiado concentrar-se então no sonho dourado: a Presidência da República.
O que faz hoje, com um adicional de vantagem em relação ao próprio Iris.
Iris tentou ser candidato a presidente e perdeu a chance para Ulysses Guimarães, dentro do PMDB.
Na época, teve contra o governador Henrique Santillo.
Caiado tem o governador Daniel Vilela (MDB) ao seu lado, aprovação nas alturas e apoio de ampla base de aliados políticos.
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Caiado faz o seu caminho ao caminhar.
Para realizar o sonho, fez o dever de casa. Sacramentou com um último movimento impensado pelos observadores mais atentos: a migração do União Brasil para o PSD.
(Ainda que realizado como último recurso para não ficar fora de vez da disputa, foi posto em prática e deu certo.)
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Caiado fez toda essa caminhada cultivando o que começou como arroubo de lobista na UDR (União Democrática Ruralista) e virou marca: o discurso em defesa da moralidade e de uma política nova, contra a corrupção, fincado em verve arrochada (o “Arrocha!” virou bordão) e anti-Lula.
Hoje, mais do que nunca, Caiado se define como o contrário de Lula e a promessa de mudança no jogo político – para melhor, evidente.
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E aqui está o nó.
O brado direcionado com fúria a Lula por razões de corrupção e moralidade não tem correspondência com Flávio Bolsonaro, alvo igualmente de denúncias envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro.
Tudo contra Mensalão, Petrolão e Lava Jato, e nada a dizer contra dinheiro da previdência de governos tocados por políticos de direita indo parar no cofre forte do Master, que pagou filme-propaganda de Bolsonaro.
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À primeira vista, dois pesos de avaliação e duas medidas de reação a fetos que levam a um mesmo veredito moral e público. Mais relevante fica o silêncio pontual se posto ante o barulho direcionado à razão com estofo maquiavélico.
“Cada um deve se explicar diante daquilo sobre o qual paira uma dúvida. O ponto relevante é que fatos que venham a ocorrer amanhã com pré-candidatos da centro-direita não provoquem uma cisão no segundo turno. Se chegarmos com muitas feridas ainda não cicatrizadas, pode haver omissão da centro-direita e perdermos o segundo turno. Isso é inaceitável”, argumentou Caiado em recente entrevista à CNN.
“Meus entendimentos com o Zema têm sido conversados. O importante é estarmos unidos para chegar ao segundo turno com um candidato que vença o Lula. Esse é o ponto principal”, acrescentou, reforçando o que pensa e como age.
Na disputa entre o pragmatismo político e a moralidade perdida da política, Caiado elegeu as urnas como foco primordial, nesta eleição. E distribui a dureza para um lado e a ponderação para o outro. À direita e à esquerda.
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A razão eleitoral e os discursos seletivos que a acompanham são suficientes para elegê-lo? Para diferenciá-lo?
Posicionamento tático ou estratégico? Orientado pelo marqueteiro ou pela consciência? Questão de tempo.
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Jogo jogado, a estratégia de não se indispor e não se contrapor a Flávio carrega o condão de tentar preservar Caiado para ser a alternativa a Flávio, que hoje cataliza o bolsonarismo e parte significativa da direita.
Uma vantagem, por exemplo, sobre Romeu Zema (Novo), que vem criando arestas com o bolsonarismo justamente por condenar os atos e fatos envolvendo Flávio.
Resumo do jogo: a Caiado resta esperança e aposta.
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De concreto, sua estratégia se baseia na premissa do colapso da candidatura de Flávio. Cálculo? Esperteza, na leitura de desconfiados e atentos bolsonaristas goianos.
Para eles, Caiado quer agradar a todos da direita, do extremo ao centro, esperando que a sua hora vai chegar e ele será único e inevitável como candidato de… todos.
Os bolsonaristas devolvem: a hora dele vai chegar, mas como lei do retorno.
Todos estão vendo – Caiado não está vendo isso?
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À parte, Caiado vai levando a pré-candidatura. Seu marqueteiro, em entrevista, mostrou que há um plano, e que no final vai dar tudo certo. O objetivo agora é identidade, consolidação da imagem, consistência eleitoral. Não é despontar em pesquisa.
O candidato Caiado faz sua parte enquanto espera Deus operar.
Outro nó.
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Se as chances eleitorais medidas pelas pesquisas não ganham escala, fica visível cada dia mais exatamente o contraste entre o discurso e a realidade dos Caiados de antes e de hoje. Entre a história de vida e o método nesta eleição.
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Em Goiás, os embates de Caiado com políticos de esquerda são lendários pela forma e pelo tom.
Com o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), são lendários pelas mesmas razões e por serem recorrentes, desde que deixaram de ser aliados, nos idos de 1994 e 1998.
Na história, o que os goianos viram foram trocas explícitas de tapas verbais públicos, sem luvas de pelica. O clima ainda é esse.
A ponto de Marconi Perillo, em sua pré-campanha para governador, preferir atacar Caiado, em vez de mirar no adversário direto, Daniel Vilela.
E de Caiado reagir à altura, como se fosse bom pra sua candidatura presidencial usar o tempo para polemizar com Marconi em Goiás.
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Questão posta a Caiado na campanha:
a) Como ser o mesmo, o Caiado histórico, construído no discurso contra tudo que está aí, inclusive o bolsonarismo,
b) aprumar a candidatura a presidente dentro das dificuldades de composição política e partidária nacional,
c) e nessa toada não se revelar na prática uma representação do que sempre disse se opor, que vê personificado em Lula, mas se nega a ver em Flávio
d) por puro cálculo estratégico eleitoral?
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Caiado não é Caiado na campanha. E talvez isso explique um pouco o momento que enfrenta.
O Caiado de hoje está diante do Caiado que chegou até aqui. E agora?
Daqui pra frente, quem vai vencer?
E, quem sabe, vencer a eleição?
Quem vai ficar pra contar a história?
