Existe uma ilusão confortável no Brasil: a de que os nossos problemas são complexos demais para soluções simples. Mas alguns dados desmontam essa narrativa.
Quando se observa o investimento por aluno na educação básica, o país aparece muito atrás de nações que hoje colhem os frutos de decisões tomadas décadas atrás. Luxemburgo investe mais de oito vezes o que o Brasil aplica por estudante. Suíça, Noruega, Áustria, Coreia do Sul, todas tratam a educação como prioridade concreta, não retórica.
Isso faz diferença, não apenas no desempenho escolar, mas na qualidade da mão de obra, na inovação tecnológica, na produtividade da economia e, sobretudo, na capacidade de competir globalmente.
Educação é o único caminho capaz de reduzir desigualdades de forma estrutural. Os programas sociais aliviam sintomas. A educação resolve causas.
O Brasil, no entanto, parece ainda não ter feito essa escolha de forma definitiva. Investimos pouco, investimos mal e, muitas vezes, investimos sem continuidade. Mudam governos, mudam prioridades, mudam programas. O que não muda é o resultado.
Recursos? Talvez o problema não seja apenas financeiro. Há também uma questão cultural. O país ainda não conseguiu transformar a educação em valor coletivo inegociável. Falamos sobre ela, a defendemos em discursos, mas não a tratamos como eixo central das decisões públicas.
Enquanto isso, o mundo avança. A Coreia do Sul, que há poucas décadas enfrentava níveis de pobreza elevados, hoje é referência global em tecnologia e inovação. Não por acaso ela fez da educação sua principal estratégia nacional.
O Brasil ainda tem tempo, mas o tempo não é infinito. A cada geração que passa sem investimento adequado, o país adia o seu próprio desenvolvimento e esse atraso não se recupera facilmente.
No fim das contas, a pergunta é simples e incômoda (que também deve ser feita aos nossos “presidenciáveis”): Queremos ser um país melhor ou apenas parecer um país melhor?
