E o PT?
Calma. Wilder Morais não vê necessidade de campanha agora. Para ele, não faz o menor sentido isso, campanha, na pré-campanha.
Pré-candidato a governador de Goiás pelo PL, a movimentação de Wilder não se compara nem à de candidato a síndico, muito mais agitada que a sua.
Pra quê treinar? Treinar pra quê? Diria Romário.
E foi o que disse Wilder – com outras palavras, evidente – a um aliado que se mostrou incomodado com tão pouco barulho em sua campanha preliminar.
Wilder confia no esplendor bolsonarista. Na explosão da chegada de urna. Ou: no impacto enchente do bolsonarismo, que de repente, na reta final da eleição, transforma em Araguaia um mero rego d’água de fundo de quintal.
Wilder é a calma em pessoa ao argumentar que não carece correria por enquanto. Está tudo sob controle, pondera com seu característico retrato de meio-sorriso no rosto.
Lá na frente, diz com seu jeito frio de ser, essa larga vantagem do governador Daniel Vilela (MDB), o líder nas pesquisas, vai se transformar em pó.
Marconi Perillo (PSDB), o segundo colocado? Também não será páreo, indica com os ombros. Tudo tem sua hora e vez, garante, sem pestanejar.
É uma lógica calculada. Irritante para quem está próximo e gostaria de ver mais motivação e perspectiva, e curiosa para os que estão observando de longe. Mas é daí? Ele está inabalável.
Sem argumentar muito, cita que aconteceu isso com Bolsonaro para presidente, e aconteceu na eleição passada para prefeito de Goiânia, com Fred Rodrigues despontando para o segundo turno de forma inesperada, a poucos dias da votação.
Wilder não tem dúvida de que o plano dará certo. E de que gastar munição agora – dinheiro, esforço de mobilização, discurso, entrevistas etc. – é perda de tempo.
Ele tem outra razão movendo sua estratégia: por ter ligações históricas com Daniel, Caiado e Marconi, e relações cordiais com Lula e o PT no Senado, alimentar conflitos desde hoje é algo imprudente. Outra vez: não precisa. Ou: é a busca da unção.
Enquanto isso, Daniel firma-se na liderança a cada nova pesquisa, impõe-se como governador consolidado no poder pós-transição a Ronaldo Caiado governador, e Marconi se mexe pelo interior – pouco, mas se mexe.
E o PT?
Enquanto isso, o PT segue em guerra contra o PT, em um outro movimento curiosíssimo nesta disputa pelo governo de Goiás. O PT está sem candidato e sem rumo, sem medo de ser feliz.
O PT não quer saber de campanha porque não quer saber de se entender internamente. Talvez inspirados por Trump, os petistas preferem bombas e trocas de acusação a uma solução de paz e amor.
Wilder não quer saber de campanha porque calcula saber tudo sobre o que vai acontecer na campanha.
Campanha agora pra quê? O importante é não estressar. Povo apressado.
