Campanha também é repetição.
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Nos encontros do governo com sua base de partidos aliados, há uma repetição de pontos-chave que remetem e reforçam a percepção positiva que querem do próprio governo e, com isso, do foco da campanha de reeleição do governador Daniel Vilela (MDB).
Passo a passo calculado. Uma coisa empurrando a outra, como estratégia de persuasão de marketing e construção eleitoral.
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Segurança é o tema de resistência da coisa toda para outubro.
Dia 18, em Trindade, Daniel Vilela repetiu que vai manter firme o propósito de que bandido em Goiás não se cria, que bandido bom é bandido longe do Estado.
Falta do que dizer? Falta de discurso novo? Não. É exatamente o que a população quer ouvir, segundo pesquisas bem feitas por institutos qualificados. Profissionalismo pragmático na busca do ‘foco de campanha’.
A população quer ouvir que será mantido o padrão estabelecido nos dois governos de Ronaldo Caiado (PSD), candidato a presidente com o mesmo discurso de segurança pública com eficiência absoluta para o País.
A polícia também quer ouvir isso de Daniel, ex-vice e herdeiro eleitoral de Caiado. Quer ouvir e ver para crer que Daniel dará conta de seguir com o plano caiadista, que deu a eles vez e protagonismo no governo.
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Ter a população e os policiais a favor é meta de campanha, antes de objetivo de satisfação com o possível novo governo.
Educação entra como suporte a essa linha de frente discursiva. Os números de Goiás, positivos e palpáveis para pais e alunos, referendam as palavras pelas ações e os resultados.
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A percepção de que Segurança e Educação vão muito bem explica boa parte dos 84% de avaliação positiva de Caiado na renúncia, em abril.
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Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL) não se contrapõem a essa estratégia com outra estratégia, e sim com força bruta.
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Marconi bate de frente com a segurança atual dizendo que não é bem assim, que na época dele a segurança era melhor, os policiais eram mais valorizados, e que foi ele que começou tudo de bom que a área entrega hoje aos cidadãos.
A fragilidade do discurso não está na razão, mas na percepção. E no tempo.
Para dar certo o que Marconi quer, a população precisa não só ter a informação de antes e de agora, de modo a poder comparar uma coisa com a outra, mas estar disposta a isso.
E, principalmente, precisa ter a sensação, o sentimento de que a vida de fato era melhor, lá atrás. Essa memória afetiva também precisa ser comparada no espaço de tempo pessoal.
É exigir muito do eleitor. E dando o quê, em troca?
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Os estrategistas do PSDB argumentam que esse exercício de comparação será feito e se mostrará eficaz na campanha. Prometem provar que Caiado vive de propaganda.
Se propaganda vencesse eleição, o ex-governador José Eliton teria sido reeleito governador. O próprio Marconi, quatro vezes governador, nunca teria perdido eleição.
Máquina nas mãos é ativo funciona, mas não é garantia de vitória eterna.
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Marconi pode recorrer à memória histórica. Tudo dá certo, como em 1998, até que desanda de uma vez, como em 2018. “O povo dá o poder mas também tira quando cansa”, dizia o jingle dele na primeira vez que ganhou do MDB.
O povo está cansado agora? E se está ou não, por quê? O que as pesquisas, as ruas, dizem?
Está no jeito de falar dos assuntos importantes para as pessoas (os goianos), de retratá-los, a chave do sucesso eleitoral. E da derrota.
Como abordar o tema segurança em Goiás, por exemplo? Melhor não abordar?
Em 1998, o mote que esteve à frente de tudo, com Marconi e Caiado juntos no palanque, atendeu por familiocracia, traduzido como “panelinha”. Foi o ‘tempo novo’ contra a panelinha do MDB.
Qual o mote vencedor contra Caiado e Daniel, nesta campanha?
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Com o novo marqueteiro, pode ser que mude a percepção interna sobre Marconi Perillo.
Hoje prevalece a de que aquele velho Marconi é o que basta para os tempos novos atuais, porque é exatamente ele, aquele velho Marconi de guerra contra o velho MDB no poder, que o povo quer.
Entendem que Marconi não precisa ser outro. Não carece de se apresentar como alguém destes novos tempos. Como um líder novo, de novo. Não veem o MDB de Daniel Vilela como um novo MDB, diferente daquele de outrora.
Embora, por exemplo, Daniel Vilela tenha idade mais próxima da que tinha Marconi em 1998. E Marconi esteja, em anos de vida, mais próximo de Iris Rezende, de quem ganhou naqueles tempos com o discurso de renovação.
E embora haja um interlúdio de 28 anos entre o que era e o que é.
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Mudando a percepção interna sobre Marconi, pode ser que mude então o posicionamento da campanha de Marconi.
Se é que acham que precisa mudar, evidente.
O que o marqueteiro precisa mudar, de fato, é a intenção de voto hoje dos goianos. As pesquisas dão frente a Daniel Vilela. E dão vistas, no horizonte, a Wilder Morais.
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Wilder Morais deu sinais na última semana de que vai concentrar críticas a Daniel e evitar embate com Caiado.
Contradições à parte, o ponto é a eficácia dessa estratégia.
Antes. É uma estratégia já com o selo de qualidade do novo marqueteiro?
O novo marqueteiro de Wilder era, até duas semanas atrás, o marqueteiro de Marconi. É o velho marqueteiro de duas campanhas que vai enfrentar: a de Marconi, agora, e a de Daniel, mais atrás (porque esteve com o governador em outra trincheira).
O jogo estratégico de Wilder será o desenhado para Marconi?
(Imaginem o técnico do Vila, no meio do Goianão, trocando o time pelo Goiás. Ou pelo Atlético.)
Candidatos diferentes, receitas diferentes. Natural. Porém razoável ponderar que o diagnóstico de base parte do mesmo cenário, o que significa que o chão para o voo não mudou.
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O que fará e o que dirá Wilder para se diferenciar de Daniel? E de Marconi.
Em uma postagem, Wilder deu a senha. Respondendo à pergunta “No que o senhor se diferencia de Daniel”, ele respondeu: “Acho que… É o olhar.” Ele passou muita dificuldade na vida; Daniel, não. Subentende-se.
Falou isso depois de brincar contando vantagem: é mais bonito que Daniel. Citou até as esposas, não deixando claro o propósito. Mas jogou-as no assunto.
As brincadeiras nas redes sociais tentam passar descontração. Mostrar leveza. Bem entendido.
Entretanto, ao puxar o tema da comparação da beleza pessoal, ainda que em tom fofo, o que prevalece na cabeça das pessoas? O que fica?
Fica que Wilder é mais qualificado para governar Goiás que Daniel, ou que é mais bonito – ou mais feio?
Fica que ele vai mesmo ter coragem e disposição de, se preciso, ir para o enfrentamento duro contra alguém que trata com tal carinho?
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Fácil imaginar, mas difícil definir o que fica das estratégias de Marconi e Wilder. Um buscando comparativo no tempo incerto e o outro promovendo concurso de Mister Mais Belo de Goiás.
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Marconi e Wilder puxam para o primeiro plano assuntos de base pessoal enquanto Daniel e Caiado, com foco em segurança e educação, falam de temas que estão na ordem do dia como positivos para eles e que interessam diretamente à população.
O resumo é este. O extrato da pré-campanha.
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Marconi vem discutindo ele mesmo – seus feitos, a vítima que é, sua competência pra governar.
Wilder não discute nada, e quando fala é de qualidades pessoais. E não só pelo comparativo com Daniel. Seu tema recorrente também é ele como o melhor de todos.
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Uma consideração sobre o viés da campanha marconista.
Há desenho de construção de Plano de Governo no seio marconista. Um diferencial, em relação aos adversários. Pouco explorado. Real.
Tocado por um ex-secretário de Segurança de Marconi, o delegado da PF Joaquim Mesquita.
A pergunta: quando é que o ex-secretário de Segurança de Marconi vai chamar para ele a responsabilidade de debater segurança em público com o atual secretário de Daniel, coronel Renato Brum?
A comparação será de condução e resultados, mas também de nomes. Especialmente os possíveis, que comandarão a área a partir de janeiro.
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A campanha pode mudar rumos da eleição. Pode tudo. Mas pode mudar inclusive nada, como se gosta de dizer no futebol. E falar isso também é repetitivo.
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O mais urgente é que a eleição em Goiás mude no que deveria ser mais importante: mude o rumo do debate.
Que se deixe de debater quem é o mais fodão e o mais bonito, e se comece a tratar do que os goianos querem e merecem.
Vale para todos.
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Em vantagem nas pesquisas e no posicionamento, a Daniel cabe a questão: mais do mesmo – é isso?
Que Daniel dá conta do recado como governador, isso já foi demonstrado, e com muita ajuda dos adversários, como se vê, que preferem o caminho da auto-ajuda eleitoral ao combate competente contra o favorito.
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Por conta da estratégia de transição, Daniel ainda é um candidato sem identidade própria que indique um governador com personalidade independente.
O desafio para os próximos quatro anos não é manter o sarrafo de Caiado. Este é um dever de todos. O mínimo. E o que virá?
A sua ascensão é a continuação política de Caiado?
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O ciclo do tempo novo de Marconi Perillo durou 20 anos. O do PMDB, vingou 16 anos até a derrocada. O caiadista já tem oito, com prenúncio de retorno dele em pessoa ou por um parente, daqui a quatro anos.
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O eleitor está fora das campanhas de Marconi e Wilder, e só meio dentro da campanha de Daniel. E espera-se que entre na campanha do PT, quando o PT finalmente entrar na disputa.
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O eleitor começará a campanha derrotado. Mas é com ele que um dos quatro vencerá. Ou padecerá nas margens da História.
