O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) sugeriu colocar o Pix em uma mesa de negociação com os Estados Unidos, com a possibilidade de substituição do sistema nacional pela plataforma norte-americana Zelle. A manifestação ocorre em um momento de fricção comercial entre os dois países, surgida após a visita de Flávio Bolsonaro a Donald Trump, e introduz novos elementos na discussão sobre a autonomia digital e institucional do Brasil.
O posicionamento do ex-parlamentar sucede a conclusão de uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O órgão recomendou a imposição de uma taxa de 25% sobre produtos brasileiros importados, sob a justificativa de que as políticas de pagamento eletrônico do Brasil desfavorecem companhias americanas. O amplo alcance do Pix reduziu de forma direta a utilização de bandeiras de cartão de crédito originárias dos EUA.
A movimentação de Eduardo Bolsonaro sinaliza uma tentativa de alinhar a retórica política aos interesses econômicos de Washington. Segundo ele, o objetivo seria mitigar potenciais danos aos exportadores brasileiros por meio de “concessões” tecnológicas e minerais. Em contrapartida, a proposta gera forte fricção com setores técnicos e institucionais que defendem a consolidação do Pix como um ativo de soberania e eficiência do Banco Central do Brasil.
Uma eventual mudança regulatória ou flexibilização do sistema de pagamentos de curto prazo traria desdobramentos complexos para o ambiente de negócios. Analistas apontam que o sistema Zelle possui limitações operacionais severas em comparação com a ferramenta nacional, como a falta de instantaneidade absoluta e a ausência de adesão obrigatória de todo o sistema bancário, o que poderia reduzir a eficiência do comércio digital no país.
O ponto central de observação nos próximos dias será a manifestação oficial do Ministério das Relações Exteriores e do Banco Central em relação às recomendações de sobretaxa tarifária apresentadas pelo governo americano.
