O candidato ao governo de Goiás Marconi Perillo (PSDB) apresentou um conjunto de propostas para enfrentar a violência contra a mulher no estado. O plano inclui a convocação de policiais militares da reserva, o reforço das Patrulhas Maria da Penha e a ampliação das Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher (Deams).
O anúncio ocorre após Goiás registrar 49 vítimas de feminicídio entre janeiro e julho de 2026, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). No mesmo período de 2025, foram contabilizadas 30 mortes, o que representa aumento de 63%.
As medidas fazem parte do programa eleitoral do tucano. A campanha, no entanto, não informou o custo estimado das ações, o número de policiais que pretende convocar, quantas delegacias seriam abertas ou ampliadas nem o prazo para a execução das propostas.
Entre as medidas apresentadas está o retorno voluntário de policiais militares da reserva ao serviço ativo, mediante pagamento de gratificação. Segundo Marconi, a convocação funcionaria como uma resposta temporária à demanda por efetivo até a realização de um novo concurso público para a segurança estadual.
“Nosso objetivo é ampliar o efetivo nos batalhões da Polícia Militar e, em especial, nas Patrulhas Maria da Penha”, afirmou o candidato. Ele também prometeu renovar a frota de veículos e ampliar a capacitação dos policiais que atuam no atendimento a mulheres em situação de violência.
Reforço das Patrulhas Maria da Penha
A Patrulha Maria da Penha foi lançada pelo Governo de Goiás em março de 2015, durante a quarta gestão de Marconi. A estrutura começou como um projeto de acompanhamento de vítimas de violência doméstica e fiscalização do cumprimento de medidas protetivas.
A proposta apresentada pelo candidato prevê ampliar o número de equipes, mas não estabelece uma meta de cobertura territorial. Marconi também não informou quantos policiais seriam destinados especificamente ao serviço.
O tucano propõe ainda aumentar a estrutura das Deams e criar um canal integrado de comunicação entre as delegacias especializadas, as Varas de Violência Doméstica e a Polícia Militar.
Segundo ele, o sistema utilizaria recursos tecnológicos e ferramentas de inteligência artificial para facilitar o compartilhamento de informações e acelerar a resposta em situações de risco. A campanha não detalhou como a tecnologia seria implantada nem quais dados seriam compartilhados entre os órgãos.
Articulação com TJGO e MPGO
Outra frente do plano envolve a criação de uma força-tarefa com o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) e o Ministério Público de Goiás (MPGO). O objetivo declarado é reduzir o descumprimento de medidas protetivas e melhorar o acompanhamento das vítimas depois da decisão judicial.
Dados divulgados pelo TJGO indicam que 72% das medidas protetivas são concedidas no mesmo dia em que são solicitadas. Para Marconi, o desafio está em garantir que as determinações sejam cumpridas após a concessão.
“Será preciso uma forte articulação institucional, com o Governo do Estado atuando como garantidor das condições necessárias para que as decisões do Judiciário se traduzam em proteção real”, declarou.
O candidato também citou o assassinato de Maria Regina Costa, de 61 anos, em Nerópolis. Ela foi encontrada morta em um terreno baldio no domingo (6/9). A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio e estupro, e um suspeito foi preso.
A execução das propostas dependerá do resultado das eleições e de acordos com as instituições mencionadas. Também será necessária a apresentação de orçamento, metas, dimensionamento do efetivo e cronograma para que o alcance das medidas possa ser avaliado.
Onde buscar ajuda
Mulheres em situação de violência podem procurar orientação e registrar denúncias pela Central de Atendimento à Mulher, no número 180. Em casos de emergência ou risco imediato, a Polícia Militar deve ser acionada pelo 190.
