Flávio Bolsonaro (PL) colhe os frutos de uma campanha que começou lá atrás, ao polarizar a eleição para presidente com Lula (PT).
Trabalhou muito, enfrentou denúncias, definiu pautas, foi a campo. Correu atrás. Não esperou, não descansou, não apostou na bonança em nome do pai, Jair.
Em Goiás, Wilder Morais corre atrás do líder, o governador Daniel Vilela (MDB), e do segundo colocado, Marconi Perillo (PSDB), desde o início do ano. Em geral, a situação não mudou.
Wilder corre atrás do prejuízo de não ter feito campanha. A dele, só agora começou. A esperança de vitória não é no seu taco, resultado do seu trabalho, mas nos ventos do bolsonarismo.
Wilder ora aos céus para Jair Bolsonaro ganhar a eleição de governador por ele. Em nome dele. E para ele. E, como que a testar o mito bolsonarista, ele não ajuda.
A sua queda de braço com o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, é um nó eleitoral. Outro nó é uma ação na Justiça que mais revela sua alma e expõe sua fragilidade do que o põe a salvo. O incriticável é a transparência de seu marqueteiro.
Márcio Corrêa não o apoia. Já declarou voto e está em campanha por Daniel Vilela. E por Gustavo Gayer para senador, Major Vitor Hugo para deputado federal e Flávio Bolsonaro para presidente.
Todos são do PL de Wilder, que ficou sem nada, a não ser com o discurso de traidor, que disputa agora no palanque com Márcio. A troca de acusações é uma bomba negativa. E quem está em campanha? Quem precisa de voto?
A novidade é que Márcio Corrêa montou palanque em Anápolis para fazer campanha, motivado pela promessa de campanha que Wilder fez de tirá-lo do partido. Está firme no trecho, como se diz em Goiás.
A ação em curso é um pedido do PL para que o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) obrigue os institutos de pesquisa a informar o partido e o número de urna dos candidatos nas listas apresentadas aos eleitores.
A lista seria apresentada nessa lógica: ‘Wilder Morais (PL – 22)’.
Tem ciência nesse movimento: pesquisas internas indicam que, ao ser apresentado o número 22 para o eleitor, este eleitor declara voto nele sem piscar. Só olha para o número e vota nele. Vota nele, no 22, e não nele, Wilder.
Na ação vai o reconhecimento de que, sozinho, Wilder Morais não vai longe. Para chegar lá, precisa ter cara de Jair e identidade de Bolsonaro. Nenhuma novidade, para quem acompanha de perto a disputa em Goiás.
Nos seus programas eleitorais recentes, Wilder aumentou a colagem de seu nome e de sua imagem com Flávio Bolsonaro. E passou a vender com ênfase as pautas mais caras ao bolsonarismo. O Plano de Governo é um detalhe.
Seu marqueteiro, Marcelo Vitorino, dá a receita do sucesso eleitoral que imprime na campanha de Wilder. Está em postagem aberta no seu Instagram. Ele é professor, conhece e ensina em cursos a matéria.
Abaixo, a receita. Que os marqueteiros adversários não vejam. Ou não sigam. Se ele abre a estratégia, ou é porque esconde outra, ou porque não teme os adversários no front do marketing eleitoral.
Acompanhe:
Quarta semana de campanha. Se o trabalho foi feito, o eleitor já conhece ou está começando a conhecer e gostar do candidato. A vontade de votar está surgindo. O que ele ainda não tem é o argumento.
Essa é a fase de motivação, e eu chamo de munição do eleitor por um motivo simples: ele vai precisar defender esse voto. Na mesa do almoço, no grupo da família, na conversa com o colega que vota no outro. Se ele não tiver o que dizer, ele fica calado, e eleitor calado não puxa ninguém.
O que entra agora: as realizações, as propostas, o contraste com o adversário, os endossos e os dados. Endosso antes desta fase não adianta, a não ser que seja do antecessor. Contraste é comparação de fato, realização contra realização, proposta contra proposta. Ataque pessoal não dá munição para ninguém, só dá assunto para o outro lado.
Dado vira munição quando cabe numa frase.
Número grande na tela, uma ideia por peça. O eleitor precisa repetir aquilo sem consultar nada.
Na semana 6 essa fase cede lugar ao pedido de voto. Até lá, cada peça responde a uma pergunta só: por que votar nele.
O marqueteiro inspira a pergunta decisiva: por que votar nele?
No Instagram dele tem mais.
