O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta quinta-feira (10/9) o sigilo da decisão que autorizou uma operação da Polícia Federal para investigar suspeitas relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A investigação apura possíveis irregularidades envolvendo recursos públicos provenientes de emendas parlamentares, além de suspeitas relacionadas à movimentação e à ocultação de valores. As diligências autorizadas pelo STF foram realizadas no Ceará, Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo.
Investigação envolve mais de 50 pessoas
Segundo a representação apresentada pela Polícia Federal, mais de 50 pessoas são investigadas no caso. Entre elas está o deputado federal Mario Frias (PL-SP).
A apuração busca esclarecer a destinação e a execução de recursos públicos repassados ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) e à Academia Nacional de Cultura (ANC), entidades que aparecem relacionadas à investigação.
O documento também cita a Go Up Entertainment, apontada como responsável pela produção de “Dark Horse”. A empresa é vinculada a Karina Ferreira da Gama, que aparece no inquérito como presidente do Instituto Conhecer Brasil e da Academia Nacional de Cultura.
Inquérito foi aberto em junho
De acordo com a decisão de Flávio Dino, o inquérito foi instaurado em 23 de junho de 2026. Entre os elementos utilizados para fundamentar a investigação está uma nota técnica da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre a execução de emendas parlamentares e a atuação das entidades envolvidas.
A operação autorizada pelo STF incluiu busca e apreensão de documentos e dispositivos eletrônicos, além do acesso e da extração de dados considerados relevantes para a investigação. O material deverá passar por perícia técnica, com observância da cadeia de custódia.
A decisão também autorizou buscas pessoais e a apreensão, dentro das condições estabelecidas pelo ministro, de determinados valores e bens de luxo eventualmente encontrados com os investigados.
Sigilo foi retirado após cumprimento das buscas
O sigilo da decisão foi levantado depois que as diligências de busca e apreensão foram cumpridas. Dino determinou ainda que, após a execução integral das medidas, o processo seja encaminhado para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A retirada do sigilo permite que os detalhes da investigação e das medidas autorizadas pelo ministro sejam conhecidos publicamente.
Investigação não representa condenação
A decisão do STF descreve suspeitas levantadas pela Polícia Federal e autoriza medidas de investigação. A existência de indícios, no entanto, não significa que os investigados tenham sido condenados ou que os crimes tenham sido definitivamente comprovados.
O objetivo da investigação é justamente reunir elementos que possam confirmar ou descartar as suspeitas apresentadas pela autoridade policial.
