Após recuperar terreno no início de setembro, o Ibovespa mantém fôlego para novas altas, embora deva enfrentar forte volatilidade até a definição do cenário político e fiscal do país. A projeção é de Lucas Sigu Souza, CEO e diretor de gestão da Ciano Investimentos.
Na terça-feira (8/9), o índice fechou em alta de 1,20%, aos 187.366,84 pontos — maior patamar desde maio —, após atingir a máxima de 189.487 pontos. No mês, a valorização chega a 5,6%.
Para Souza, o motor do avanço recente está longe da trajetória da taxa básica de juros: o fator determinante é o retorno do capital estrangeiro.
“O principal motor para a Bolsa é o fluxo externo, fruto da confiança e das perspectivas gerais para o mercado, mais do que da própria Selic”, afirma.
Os números confirmam a tendência. Após a saída líquida de R$ 18,1 bilhões em agosto, os três primeiros pregões de setembro registraram ingresso de R$ 3,9 bilhões. Em 2026, o saldo estrangeiro na B3 acumula superávit de R$ 22,2 bilhões.
O perfil da Bolsa brasileira ajuda a sustentar esse fluxo. A forte presença de setores tradicionais — commodities, bancos e energia — mantém o país no radar internacional, mesmo diante do aperto no crédito e do endividamento das famílias.
Caminho aberto para os 200 mil pontos
Para o gestor, o rali recente não esgotou o fôlego do mercado acionário. O índice pode superar os 200 mil pontos ainda neste ano, desde que o ambiente doméstico ganhe previsibilidade.
O processo eleitoral aparece como o principal catalisador dessa estabilização. Mais do que o vencedor nas urnas, o mercado busca clareza sobre as diretrizes econômicas dos próximos anos. No curto prazo, porém, os meses de setembro e outubro reservam oscilações bruscas provocadas pelo calendário eleitoral e por disputas institucionais.
O front externo soma cautela à equação. A disparada do petróleo, impulsionada por tensões no Oriente Médio, voltou a pressionar as projeções de juros nas principais economias do mundo.
O papel secundário da Selic
Apesar do protagonismo do investidor externo, a política monetária segue no radar. Souza destaca que um alívio consistente na Selic não apenas estimula a migração da renda fixa para as ações, mas reduz o custo de rolagem da dívida corporativa e reativa o consumo. O controle inflacionário, portanto, funciona como condição prévia para consolidar a alta das empresas listadas.
Cautela para iniciantes
Para investidores novatos, o conselho é de prudência. O gestor sugere evitar aportes guiados apenas pelo entusiasmo com as máximas recentes. A volatilidade dos próximos meses exige estômago e pode induzir o pequeno investidor a liquidar posições com perdas por mero reflexo de insegurança.
Uma janela de entrada mais clara deve surgir após o desfecho eleitoral e a dissipação das disputas institucionais, possivelmente no início de 2027. Para investidores com maior tolerância a risco, no entanto, Souza avalia que a faixa dos 180 mil pontos ainda oferece ativos com preços atrativos e desconto em relação aos seus fundamentos.
