O Governo de Goiás lançou nesta terça-feira (16) o Pequi Bank, plataforma digital criada para concentrar programas sociais, serviços financeiros e linhas de crédito em um único ambiente. A operação começa com cerca de 10 mil estudantes beneficiários do Bolsa Estudo, mas integra uma estratégia mais ampla de digitalização dos serviços financeiros ligados ao Estado.
A iniciativa é gerida pela GoiásFomento em parceria com a instituição financeira Stark Bank, localizada no estado de São Paulo, e foi apresentada pelo governo como uma ferramenta para ampliar o acesso a crédito, meios de pagamento e serviços financeiros para estudantes, empreendedores, servidores públicos e demais usuários.
Mais do que a substituição dos atuais cartões do Bolsa Estudo, o lançamento marca a entrada do Estado em um modelo próprio de gestão financeira digital. A expectativa apresentada pela GoiásFomento é que a plataforma alcance cerca de 660 mil usuários entre pessoas físicas e jurídicas e possa movimentar até R$ 16,7 bilhões por ano quando estiver plenamente operacional.
A primeira fase contempla estudantes da rede estadual. Segundo o cronograma divulgado pelo governo, a migração dos beneficiários ocorrerá gradualmente ao longo dos próximos meses. Os cartões atualmente utilizados continuarão válidos até o esgotamento dos saldos existentes.
O que está em jogo
O projeto vai além da distribuição de benefícios sociais. A proposta é transformar o Pequi Bank em uma plataforma capaz de reunir contas digitais, crédito para empresas, crédito consignado, meios de pagamento, marketplace de serviços e operações financeiras vinculadas ao poder público.
A estratégia amplia a presença do Estado em um segmento tradicionalmente operado por instituições financeiras privadas e cria uma nova estrutura para gestão de recursos relacionados a programas sociais e políticas de fomento econômico.
O modelo adotado também prevê uma parceria de longo prazo entre a GoiásFomento e a empresa responsável pela infraestrutura tecnológica da plataforma.
Divisão de lucros e questionamentos
Um dos pontos que geraram debate durante a tramitação do projeto na Assembleia Legislativa foi a previsão de divisão dos lucros líquidos obtidos pela operação.
Pelas regras do chamamento público realizado pela GoiásFomento, os resultados financeiros serão repartidos igualmente entre a agência estadual e o parceiro privado responsável pela plataforma.
A discussão motivou questionamentos de parlamentares da oposição, que pediram esclarecimentos sobre os mecanismos de controle, governança e fiscalização dos recursos movimentados pelo sistema. Entre as preocupações apresentadas durante a tramitação estão o direcionamento dos recursos arrecadados e a supervisão das operações financeiras realizadas pela plataforma.
Em resposta, a GoiásFomento argumenta que o Pequi Bank não se trata da criação de um banco estatal tradicional, mas de uma plataforma integradora de serviços financeiros submetida à regulamentação vigente e acompanhada pelos órgãos competentes. A agência também afirma que os recursos destinados à sua participação serão utilizados para fortalecer linhas de crédito voltadas a micro e pequenos empreendedores.
Próximos passos
A expansão do Pequi Bank ocorrerá em etapas. Após a migração dos estudantes do Bolsa Estudo, a expectativa é incorporar outros programas sociais, contas digitais para pessoas físicas e jurídicas, soluções de pagamento para pequenos negócios e linhas de financiamento da GoiásFomento.
O próximo teste para a iniciativa será justamente a capacidade de ampliar sua base de usuários sem comprometer a operação dos programas já existentes. O sucesso da transição será determinante para medir o alcance de um projeto que pretende transformar a relação entre o Estado, os beneficiários de programas públicos e o acesso a serviços financeiros em Goiás.
