A Prefeitura de Goiânia encaminhou à Câmara Municipal um projeto de lei que solicita autorização para contratar uma operação de crédito de até US$ 60 milhões — cerca de R$ 306 milhões — junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com garantia da União. Os recursos serão destinados à segunda etapa do Programa Urbano Ambiental Macambira Anicuns (Puama II).
A proposta integra a estratégia da gestão do prefeito Sandro Mabel (União Brasil) de ampliar investimentos em infraestrutura urbana, drenagem, recuperação ambiental e mobilidade. O projeto também prevê ações de reassentamento de famílias que vivem em áreas de risco e a ampliação de áreas de preservação ambiental ao longo da bacia do Ribeirão Anicuns.
O principal investimento previsto é a expansão do Parque Macambira Anicuns em 6,48 quilômetros, em trecho compreendido entre a Avenida Padre Wendel, no Setor São José, e a Avenida Goiás Norte, no Setor Urias Magalhães.
O que está em jogo
O pedido de financiamento ocorre em um momento em que a Prefeitura busca acelerar obras estruturantes apoiada pela melhora de sua capacidade fiscal e de endividamento.
O movimento também chama atenção porque o município ainda possui recursos disponíveis de operações de crédito já contratadas. Segundo informações publicadas pelo jornal O Popular, a Prefeitura utilizou até o momento R$ 287 milhões dos R$ 710 milhões contratados junto ao Banco do Brasil para obras de infraestrutura. De acordo com dados da Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz), R$ 375 milhões já foram liberados pela instituição financeira, restando cerca de R$ 334 milhões ainda disponíveis para execução.
Além disso, a administração municipal aguarda a formalização de um financiamento de R$ 132 milhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), aprovado pela Câmara em 2025 para projetos de modernização administrativa e tecnológica.
A combinação desses movimentos indica que a atual gestão pretende ampliar sua capacidade de investimento por meio de diferentes fontes de financiamento, especialmente em projetos considerados estruturantes para a capital.
Macambira Anicuns volta ao centro da agenda
Criado para funcionar como um parque linear de aproximadamente 24,5 quilômetros, o Programa Urbano Ambiental Macambira Anicuns foi concebido para recuperar áreas degradadas, ampliar a drenagem urbana e reduzir riscos de alagamentos em regiões historicamente afetadas pela ocupação desordenada.
Embora tenha sido idealizado ainda em 2003, apenas a primeira etapa foi concluída, em 2018.
Segundo parecer técnico anexado ao projeto encaminhado à Câmara, a nova fase terá como foco o aumento da capacidade de vazão das águas pluviais, a redução de áreas de risco e a mitigação de problemas recorrentes de enchentes ao longo do corredor ambiental.
A Prefeitura argumenta que os investimentos também contribuirão para a recuperação ambiental de áreas degradadas e para a valorização urbana dos bairros atendidos pelo programa.
Câmara terá papel decisivo
Antes da contratação do empréstimo, o projeto precisará passar pela Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ), pela Comissão de Finanças, Orçamento e Economia e por duas votações em plenário.
Após eventual aprovação dos vereadores, a operação ainda dependerá de análise da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e do Senado Federal.
A tramitação será observada com atenção pelo Paço Municipal. Além de autorizar um novo financiamento internacional, a votação servirá para medir o ambiente político da gestão Mabel na Câmara em uma pauta de impacto fiscal relevante.
*** Informações sobre a execução dos empréstimos já contratados, tramitação legislativa e capacidade de pagamento do município foram publicadas pelo jornal O Popular, em reportagem da jornalista Karla Araújo.
