O Centro de Referência em Oftalmologia da Universidade Federal de Goiás (CEROF-UFG) intensificou as ações de conscientização sobre o ceratocone durante o Junho Violeta. A mobilização busca ampliar o diagnóstico precoce de uma doença que afeta principalmente adolescentes e adultos jovens e que pode comprometer a visão quando não recebe acompanhamento adequado.
Referência nacional em oftalmologia, o CEROF oferece diagnóstico, acompanhamento e tratamento da doença exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), atendendo pacientes encaminhados pela rede pública de diferentes regiões.
O ceratocone é uma doença caracterizada pelo afinamento e pela deformação progressiva da córnea, estrutura responsável por auxiliar a focalização das imagens na retina. Segundo o Ministério da Saúde, a condição costuma se manifestar entre os 10 e os 25 anos de idade, período em que apresenta maior risco de progressão.
A identificação precoce é considerada decisiva para evitar o agravamento do quadro e reduzir os impactos da doença na qualidade de vida, nos estudos e nas atividades profissionais dos pacientes.
Fatores de risco exigem atenção
Embora tenha forte componente genético, especialistas alertam que hábitos cotidianos também podem influenciar a evolução da doença.
Segundo o oftalmologista Tiago Augusto, especialista em córnea do CEROF-UFG, o hábito frequente de coçar os olhos está entre os principais fatores de risco modificáveis.
“Embora o ceratocone tenha importante componente genético, a coçadura frequente dos olhos é um dos principais fatores de risco modificáveis. Esse hábito provoca microtraumas na córnea e pode contribuir para o enfraquecimento e a progressão da doença, especialmente em pessoas com alergias oculares”, explica.
Além da predisposição genética, fatores como alergias oculares recorrentes, rinite alérgica, asma, dermatites e algumas condições genéticas, como a Síndrome de Down, também estão associados ao desenvolvimento da doença.
Diagnóstico precoce amplia possibilidades de tratamento
De acordo com os especialistas, os avanços tecnológicos permitiram ampliar as opções terapêuticas disponíveis e reduzir a necessidade de procedimentos mais complexos.
“O ceratocone costuma surgir entre a adolescência e o início da vida adulta, período em que a doença apresenta maior risco de progressão. Quando identificamos as alterações precocemente, é possível indicar tratamentos que ajudam a estabilizar a córnea e preservar a visão”, afirma Tiago Augusto.
Entre os tratamentos disponíveis está o crosslinking corneano, procedimento utilizado para fortalecer as fibras de colágeno da córnea e interromper a progressão da doença.
Segundo o médico, a intervenção realizada nos estágios iniciais aumenta as chances de preservar a capacidade visual e reduzir a necessidade de transplante de córnea no futuro.
Como funciona o acesso pelo SUS
O atendimento especializado para pacientes com ceratocone ocorre por meio da regulação estadual. O primeiro passo é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou a Secretaria Municipal de Saúde do município para avaliação médica.
Quando há indicação de atendimento especializado, o caso é encaminhado à Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), responsável pela autorização e pelo agendamento da consulta na rede de referência.
Em Goiás, o CEROF-UFG integra a estrutura de atenção especializada em saúde ocular do SUS, oferecendo exames específicos para avaliação da córnea, acompanhamento clínico e acesso às diferentes modalidades de tratamento.
O principal desafio continua sendo ampliar o diagnóstico precoce entre adolescentes e jovens adultos, faixa etária em que a doença costuma apresentar evolução mais acelerada. Para especialistas, a conscientização sobre os sintomas e fatores de risco é uma das estratégias mais importantes para evitar perdas visuais que poderiam ser prevenidas com acompanhamento especializado.
