A iminência de novas barreiras comerciais por parte de Washington acende o sinal de alerta no setor produtivo brasileiro. Empresários aguardam com forte apreensão o anúncio de alíquotas adicionais sobre produtos do país, uma decisão que pode ocorrer nos próximos dias.
O Palácio do Planalto e o setor privado tentam decifrar quais itens sofrerão as novas cobranças dentro dos mecanismos da Seção 301 da legislação comercial americana. Em paralelo, o Departamento de Comércio dos EUA avança em uma investigação que abre caminho para sanções econômicas imediatas.
O argumento do setor privado: Representantes da indústria e da agricultura acreditam que a medida possui viés estritamente político. O motivo? Os Estados Unidos mantêm um superávit estável na balança comercial com o Brasil, o que retira qualquer justificativa puramente econômica para a ofensiva tarifária.
Caso não lembre… A tensão diplomática ganhou força total após o governo americano classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A medida, anunciada pelo secretário de Estado Marco Rubio, entra em vigor em 5 de julho.
O anúncio detonou uma crise política instantânea com troca de acusações:
- A reação de Lula: O presidente criticou a classificação e atacou o senador Flávio Bolsonaro durante agenda em Sergipe. O chefe do Executivo chamou o parlamentar de “traidor” sob a acusação de buscar interferência externa em assuntos de segurança nacional.
- A resposta do senador: Flávio Bolsonaro confirmou o pedido de apoio direto à gestão de Donald Trump para o enquadramento internacional das facções.
- O deboche de Washington: Jason Miller, conselheiro e aliado íntimo de Trump, utilizou as redes sociais para ironizar os protestos de Lula com as expressões “womp womp” e “chora mais”.
Por que isso importa: A disputa ultrapassa a retórica partidária e atinge a economia real. O mercado tenta mensurar o tamanho do prejuízo sobre as exportações brasileiras caso o pacote de tarifas se confirme.
Na prática, o respaldo técnico para a decisão de Washington veio de onde o governo menos esperava. O juiz federal aposentado Odilon de Oliveira, com longa trajetória no combate ao crime organizado, validou o ato americano em entrevista ao Estadão. Para o magistrado, a classificação atende aos critérios de soberania de cada nação na defesa contra ameaças globais, o que isola a retórica de normalidade do governo brasileiro no front externo.
