Ronaldo Caiado tem discurso contra Lula mas não tem (ainda) discurso pra ser candidato a presidente com perspectiva real de vitória.
As pesquisas de intenção de voto mostram que ele segue o mesmo de quando se lançou pré-candidato. Seus índices estão na faixa dos 5% e o maior problema persiste: ser conhecido e viável.
Ninguém duvida de seu anti lulismo e antipetismo. Ele é a antítese no palanque. Porém o entrave neste primeiro turno não é Lula. É Flávio Bolsonaro (PL), com quem disputa votos na direita e no bolsonarismo. E é aí que O caldo entorna.
Polarizar com Zema (Novo) não melhora a situação do ex-governador goiano. Vira notícia, em meio ao vendaval de fatos sobre Flávio e Lula, o que mais reforça a polarização do que os desgasta.
O vão entre Flávio Bolsonaro e a viabilidade para os que se guiam pela perspectiva real de vitória eleitoral em outubro é estreito e Caiado não achou o caminho porque parece mais focado em combater Lula.
Fazendo mais do mesmo, Caiado terá mais do mesmo resultado. A não ser que seus estrategistas tenham um plano certeiro e arrebatador. Ou a sorte favoreça, tirando Flávio da jogada e abrindo uma janela (sem garantia de sol) providencial. Sonho?
Só que o tempo passa e o plano não aparece. Ou é isso: o plano já está em curso e não produz os resultados esperados e a situação é de olho fechado no meio do rodamoinho.
Há apreensão entre apoiadores da campanha de reeleição de Daniel Vilela (MDB) com a situação de Caiado. Querem que a candidatura dê certo, mas não veem a coisa dando certa.
Dar certo nem significa Caiado ser eleito presidente. Todos sabem que a empreitada não é fácil. Porém a possibilidade de a candidatura de Caiado patinar onde está é vista como no mínimo preocupante.
Caiado é um cabo eleitoral decisivo para Daniel. Ele bem é contente na disputa nacional, deixa todos contentes na campanha em Goiás e resulta em paz entre os aliados. Paz interna para a guerra externa de Daniel contra adversários.
Porém entre caiadista há uma questão que também está posta. Quanto Daniel está fazendo para acalmar Ronaldo Caiado no momento em que ele está mais pressionado pelo embate presidencial?
Nada da mais paz a Caiado do que paz e amor na campanha de Gracinha Caiado para o Senado. A questão passa por aí.
Há um precedente nessas delicadas relações. Tem a ver com Iris Rezende e dona Iris de Araújo.
O momento é de não-campanha em Goiás. Ninguém ameaça Daniel Vilela, porque nenhum dos outros pré-candidatos estão fazendo algo que possa indicar mudança de quadro.
O fogo amigo é o pior inimigo que pode aparecer nessas horas.
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