A 1ª Vara Criminal dos Crimes Dolosos contra a Vida de Goiânia determinou que o motorista Thyago Rodrigo Silva Moreira, de 25 anos, seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri. Ele é acusado de atropelar e causar a morte do entregador Carlos Willian Rodrigues Martins, também de 25 anos, durante um episódio de violência no trânsito ocorrido em setembro de 2025.
A decisão foi proferida pelo juiz Eduardo Pio Mascarenhas da Silva, que considerou haver indícios suficientes de autoria e materialidade para que o caso seja decidido por jurados. O réu responde por homicídio e omissão de socorro, uma vez que fugiu do local sem prestar assistência à vítima.
Dinâmica do incidente no Setor Novo Horizonte
O caso aconteceu na noite de 14 de setembro, na Avenida César Lattes. Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Civil e o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público (MP), o incidente teve origem em uma discussão entre o motorista e o motociclista nas proximidades de um shopping center local.
Imagens de câmeras de segurança, anexadas ao processo judicial, registraram o momento em que o veículo conduzido por Thyago para no meio da via e, logo após a passagem do entregador, inicia uma perseguição por cerca de 550 metros. Na sequência, o carro acelera e atinge a motocicleta por trás. Com o impacto, Carlos Willian colidiu contra um poste e o tanque de combustível da moto explodiu, provocando um incêndio.
Socorro e tentativa de ocultação
A vítima foi resgatada ainda com vida pelo Corpo de Bombeiros e encaminhada ao Hospital Estadual de Urgências de Goiânia (Hugo), apresentando fraturas faciais e queimaduras graves. Carlos Willian, no entanto, não resistiu aos ferimentos e faleceu na unidade de saúde.
O Ministério Público sustenta que, além da fuga imediata, o acusado teria tentado ocultar provas do crime. De acordo com os autos, Thyago levou o automóvel a uma oficina mecânica no dia seguinte ao atropelamento, com o objetivo de reparar os danos e eliminar vestígios da colisão.
Contraponto da defesa
Em depoimento à Justiça, Thyago Rodrigo negou a intenção de matar ou a existência de uma perseguição proposital. O acusado afirmou que agiu sob sensação de ameaça, alegando que o motociclista teria feito gestos intimidadores enquanto ele estava acompanhado da esposa e do filho recém-nascido. A defesa argumenta que o entregador teria perdido o controle do veículo sozinho, versão que confronta as provas técnicas e testemunhais apresentadas até o momento.
Com a decisão de pronúncia, o processo segue para a fase de agendamento do julgamento. No Tribunal do Júri, sete cidadãos sorteados decidirão se o réu é culpado ou inocente das acusações.



